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‘The Voice Kids’ precisa rever a disparidade etária entre os participantes

Final do ‘The Voice Kids’ contou com 4 finalistas devido a um imprevisto na semifinal, que mostrou que o concurso leva mais em conta fofura do que técnica.

A edição 2018 do The Voice Kids acabou nesse último domingo, com vitória da paraibana Eduarda Brasil, que durante toda sua participação mostrou a riqueza da música nordestina. Nascida em Cajazeiras, a adolescente, hoje com 15 anos, começou a cantar aos 5, influenciada pelo pai e pela tia, que tocam forró. Na fase das audições do reality, teve todas as cadeiras viradas e escolheu o time da dupla Simone & Simaria. Na final, foi escolhida pelo público como a grande campeã com 40,51% dos votos.

Eduarda Brasil foi a campeã do 'The Voice Kids 2018'
Eduarda Brasil foi a campeã do ‘The Voice Kids 2018’. Imagem: Reprodução.

Entretanto, foi outra questão que chamou a atenção. Pela primeira vez na história do programa, a final contou com 4 finalistas graças a um problema na fase anterior: na semifinal, o jurado deve dar vinte pontos a um de seus candidatos e a porcentagem de votos do público também se transforma em pontos. Na somatória, acabou ocorrendo um empate no time de Brown, ficando a ele a decisão de escolher a finalista de seu grupo. Ele optou pela candidata para a qual deu seus pontos: Talita Cipriano (filha de uma das integrantes do grupo Fat Family). Entretanto, a cantora não era a favorita do time pelo grupo: Mariah Yohana era. O público se revoltou e a produção do programa acabou voltando atrás e mantendo as duas na disputa (leia sobre na coluna do jornalista Mauricio Stycer).

Empate entre integrantes do time de Carlinhos Brown causou imprevisto na semifinal
Empate entre integrantes do time de Carlinhos Brown causou imprevisto na semifinal. Imagem: Reprodução.

Essa confusão mostrou um grande problema de estrutura: o show de talentos infantil aceita participantes entre 9 e 15 anos e esta diferença de idade provoca um abismo entre os candidatos. Entre os mais jovens, se estabelece um concurso de “fofura” – tem até um medidor de fofuromêtro das apresentações -, e entre os mais velhos a disputa é, de fato, musical. Foi o que aconteceu na semifinal: Yohana tem apenas 9 anos e era a queridinha do público, sendo considerada uma das crianças mais meigas e fofas da edição.

Sendo assim, os aspectos emocionais e afetivos acabam sendo mais importantes que os musicais e emoção, graça e choro se tornam o prato principal da disputa. O programa deixa de ser exatamente um concurso musical, como promete, oferecendo um entretenimento da melhor qualidade, perfeito para quem está diante da TV no início da tarde aos domingos.

Entre os mais jovens, se estabelece um concurso de “fofura” e entre os mais velhos a disputa é, de fato, musical.

Por isso, muitas vezes os técnicos e o público se veem na difícil missão de escolher entre a técnica e a fofura. Por este motivo, as crianças maiores – os adolescentes – ficam em segundo plano e perdem a importância diante das crianças menores, pois a maior parte do público de casa geralmente age pela emoção, ignorando a técnica vocal (que é o que deve ser observada em programas do gênero).

O contrário também acontece, pois com 15 anos, muitos dos participantes já atingiram um nível físico e vocal bastante avançado, o que é visto por muitos como uma vantagem sobre as crianças menores que tem a voz infantil. É triste ver uma menina de 9 anos chorando por ser eliminada porque não conseguiu alcançar a mesma técnica vocal que uma de 15.

Uma boa solução para as próximas edição é dividir o programa em The Voice Kids, com crianças de 9 a 11 anos, e The Voice Teen, com adolescentes de 12 a 15 anos. E, se não for possível fazer dois programas, por que não colocar dois prêmios em disputa dentro do mesmo concurso? Depois do ocorrido, vamos ver as mudanças da próxima edição.

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Gabrielle Russi

Gabrielle Russi é formada em jornalismo pela PUCPR, em Cinema Digital pela Cinemateca de Curitiba e atualmente cursa uma pós-graduação em Intermídias Visuais. Trabalhou no setor de Comunicação da Fundação Cultural de Curitiba e na Bienal de Curitiba, desenvolvendo uma profunda paixão por todos os setores culturais. Sempre possuiu um "Guilty Pleasure" em assistir teledramaturgias brasileiras e assumiu esse vício ao escrever a monografia "Jornalismo e Dramaturgia: Representações dos Personagens Jornalistas nas Telenovelas”.

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