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Novelas da Globo ampliam espaço à comunidade LGBTQ

Atualmente em exibição, ‘A Força do Querer’ e ‘Pega Pega’ apresentam personagens que ampliam o espaço da comunidade LGBTQ na teledramaturgia.

A discussão sobre gênero, orientação sexual e expressão artística nunca esteve tão atual. Vivemos uma época em que cada vez mais se fala nesse assunto, afinal, para acabar com o preconceito é preciso explicar, debater e repercutir o tema. E isso está refletido na mídia e, consequentemente, nas novelas.

Não há um brasileiro que não tenha ouvido falar da Pabllo Vittar, cantora, compositora e Drag Queen. A artista, que iniciou sua trajetória na internet, ganhou fama e reconhecimento no início de 2016, quando foi contratada pela Rede Globo como o nova vocalista da banda do programa Amor & Sexo, apresentado por Fernanda Lima. Desde então, a carreira de Pabllo decolou e hoje ela é um dos maiores fenômenos da música pop brasileira. O portal Purebreak afirma que Pabllo é a Drag Queen mais famosa do mundo atualmente, tendo figurado recentemente na lista da Billboard dos 50 artistas mais influentes nas mídias sociais.

Após transmitir o primeiro beijo gay do horário nobre, em 2014, no folhetim Amor à Vida, as novelas da TV Globo não podiam ficar indiferentes ao assunto que está mais em voga no momento. Sendo assim, duas tramas exibidas atualmente apresentam personagens que fomentam o debate acerca de identidades de gênero e enaltecem a arte drag, bem como ampliam o espaço à comunidade LGBTQ na teledramaturgia brasileira.

Guilherme Weber vestido como Drag Queen em 'Pega Pega'
Guilherme Weber vestido como Drag Queen em ‘Pega Pega’. Foto: Reprodução.

Duas tramas exibidas atualmente apresentam personagens que fomentam o debate acerca de identidades de gênero e enaltecem a arte drag, bem como ampliam o espaço à comunidade LGBTQ na teledramaturgia brasileira.

Já falamos outras vezes aqui da Ivana/Ivan, vivida por Carol Duarte, que é trans homem na novela a Força do Querer, porém, apesar da personagem ser destaque por abordar a grande questão social levantada pela autora Glória Perez, ela não é a única a suscitar debates e reflexões. Ainda na novela das nove, temos dois outros atores cujos personagens reverberam o tema e na novela Pega Pega há uma boate na qual acontecem shows de personagens Drag Queens.

Silvero Pereira vive o Nonato e a Elis Miranda em A Força do Querer, um travesti transformista que trabalha como motorista, vestido de homem, porque não conseguia emprego em decorrência do preconceito, mas que sonha em ganhar a vida se apresentando como artista, homenageando as cantoras Elis Regina e Carmem Miranda. O personagem é o responsável por vivenciar os diálogos didáticos e explicativos, inclusive sobre identidade de gênero e sexualidade.

A atriz transgênero Maria Clara Spinelli dá vida a personagem Mira
A atriz transgênero Maria Clara Spinelli dá vida a personagem Mira. Foto: Reprodução.

Já Maria Clara Spinelli dá vida à personagem Mira, amiga da vilã Irene, na novela das nove. Ela é uma atriz trans na vida real, que interpreta uma mulher cisgênero. A atriz já declarou em entrevistas que considera esse papel uma realização, pois até então só havia vivido personagens transgêneros, assim como ela.

Na trama das sete, Pega Pega, o ator Gabriel Sanches vive Flávio, que apresenta shows musicais em uma boate como a Drag Queen Rúbia. No núcleo, outras personagens Drag Queens se apresentam na boate junto com ele. O ator Guilherme Weber é Douglas, sócio da boate e gerente do hotel que une todo o enredo, e de vez em quando também se caracteriza e se apresenta como a transformista Brigita.

O ator Gabriel Sanches vive a Drag Queen Rúbia em ‘Pega Pega’. Foto: Reprodução.

As dramaturgias estão usando e abusando do tema, e isso é ótimo. Quanto mais representatividade, quanto mais personagens assim existirem, mais as pessoas vão entender o assunto. E conhecimento e compreensão são os primeiros passos para o fim do preconceito. Vamos torcer para essa tendência só aumentar!

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Gabrielle Russi

Gabrielle Russi é formada em jornalismo pela PUCPR, em Cinema Digital pela Cinemateca de Curitiba e atualmente cursa uma pós-graduação em Intermídias Visuais. Trabalhou no setor de Comunicação da Fundação Cultural de Curitiba e na Bienal de Curitiba, desenvolvendo uma profunda paixão por todos os setores culturais. Sempre possuiu um "Guilty Pleasure" em assistir teledramaturgias brasileiras e assumiu esse vício ao escrever a monografia "Jornalismo e Dramaturgia: Representações dos Personagens Jornalistas nas Telenovelas”.

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