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Arte: Divulgação/Fronteira Festival.

A partir desta semana, mais especificamente o dia 16, Goiânia recebe o 3º Fronteira – Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental (FFF), além da 1ª Bienal do Cinema Sonoro. Até o dia 25 de março, Goiânia também será a capital mundial dos filmes documentários, experimentais e sonoros produzidos em diferentes partes do planeta. Mas, afinal, por que o cinema documental e experimental têm tamanha importância?

Antes da retomada, a média de documentários no circuito comercial brasileiro era baixa, cerca de 2 filmes ao ano. Hoje, dificilmente você irá às salas de cinema espalhadas pelo país e não encontrará ao menos um título em cartaz. O documentário carrega grande importância por não apenas expor e dar luz a temas e questões de suma importância na sociedade, mas também como um vasto campo de experimentação estética e artística, tendo sido fundamental nos últimos anos na renovação da linguagem cinematográfica, e também na televisiva – os seriados mockumentary são exemplos claros disto.

O Fronteira surgiu como um festival cujo propósito é difundir e refletir o cinema documental e experimental, além de obras que procurem desafiar os limites da linguagem.

Algo semelhante pode ser dito sobre o cinema experimental. Ele não apenas expande as possibilidades da arte por permitir o uso de ambientes diferentes do cinema convencional, mas também por subverter a câmera, processos de edição, enquadramentos, narrativas, trilhas etc., acrescentando tons poéticos às obras e fazendo do espectador parte da construção desta experiência, não focando necessariamente em propor evoluções técnicas – ainda que isso também seja possível.

O Fronteira surgiu como um festival cujo propósito é difundir e refletir o cinema documental e experimental, além de obras que procurem desafiar os limites da linguagem. Segundo Marcela Borela, integrante da direção do FFF, ambos gêneros costumam ser escolhas políticas, mais do que simplesmente estética. “A escolha do documentário valoriza o risco do real. E o experimental coloca a questão da percepção adiante de qualquer tipo de representação”, afirmou a jornalista, mestre em História e ex-diretora do Cine Cultura.

Para a edição de 2017, o festival intensifica seu caráter de polo de resistência estética e política, reforçando o setor audiovisual brasileiro como um dos mais combativos ao governo do presidente Michel Temer. “Se há um motivo para nos reunirmos em torno de filmes e do problema do cinema e da expressão da imagem e do som, é a urgência de partilharmos formas de resistência e luta”, apontam os organizadores.

Já a Bienal Internacional do Cinema Sonoro (BIS) surge a partir da proposta de desenvolver a linguagem sonora do cinema contemporâneo. A sensação de que o cinema mainstream valoriza a imagem em detrimento ao som foi um dos catalisadores para a realização do BIS, conforme explica o diretor artístico da Bienal, Belém de Oliveira. Além de mostras competitivas e não competitivas, cineastas, estudantes, técnicos de som, cinéfilos e demais interessados terão a oportunidade de participar de oficinas, palestras, laboratórios, debates, encontros e masterclass.

Serão, ao todo, 25 sessões do FFF e 25 do BIS. A organização prevê realização de cinco mostras (Competitiva de Longas, Competitiva de Curtas, Retrospectiva, Cineastas de Fronteira, Cadmus e o Dragão), nas quais participaram da curadoria Marcela Borela, Henrique Borela e Rafael Parrode. As sessões têm preços populares (R$ 6 a inteira e R$ 3 a meia-entrada).

ver cinema 2017
Encontro de programadores ocorre paralelamente ao FFF. Arte: Reprodução.

VER CINEMA

Paralelamente ao FFF, ocorrerá o Ver Cinema – Encontro Internacional de Programadores de Cinema, evento em que programadores e exibidores de todo mundo debaterão a relação do público com as criações audiovisuais produzidas e exibidas em todo mundo. Com programação inteiramente gratuita, o Ver Cinema será composto de três mesas temáticas, reunindo programadores brasileiros e estrangeiros. A intenção com o evento é discutir a programação e curadoria de festivais e mostra em todos os níveis – cineclubes, cinematecas, museus, centros culturais, etc.

Entre os convidados estão o programador, curador e cineasta espanhol Angél Rueda, diretor da (S8) – Mostra Internacional de Cinema Periférico, projeto que destaca produções cinematográficas de vanguarda, performance cinematográfica e cinema expandido. Também estará presente a codiretora do DocLisboa e conselheira da Associação Portuguesa de Documentários, Cíntia Gil. Do time brasileiro, integrarão as mesas Eduardo Valente (Festival de Brasília), Janaína Oliveira (Fórum de Cinema Negro) e Marisa Merlo (Olhar de Cinema – Festival Internacional de Cinema de Curitiba), entre outros nomes imperdíveis.

SERVIÇO | 3º Fronteira – Festival Internacional do Filme Documentário e Experimental (FFF) / 1ª Bienal do Cinema Sonoro
Onde: Cine Ritz, Cine Cultura e Centro Cultural UFG – Goiânia (GO)
Quando: 16 a 25 de março de 2017
Quanto: Abertura com entrada franca / Demais sessões a R$ 6,00 (inteira) e R$ 3,00 (meia-entrada)
Grade programação: Acesse clicando aqui
Mais informações: Fronteira Festival – site oficial

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