Olhar em Série

As 10 piores séries de 2017

Nem tudo é ouro na televisão e 2017 nos deixou algumas produções que foram verdadeiras perdas de tempo.

É bem verdade que nós perdemos cada vez menos tempo assistindo a séries ruins. O público tem mais controle e cria uma programação própria, o que faz a desistência dos seriados menos traumática do que há alguns anos. Afinal, para cada produção largada, existe uma infinidade de outras séries que podem suprir aquele vazio. E em um ano com tantas séries lançadas, obviamente algumas foram verdadeiras bombas.

2017 foi o ano em que as pessoas descobriram que a Netflix é uma empresa e, como tal, visa o lucro.

Dessa vez não somente a TV aberta nos deu muita coisa ruim como suprema Netflix também nos apresentou umas coisas bem decepcionantes. Não coloquei Sense8 na lista porque não necessariamente ela é uma produção ruim, só é pretensiosa a ponto de se achar a última bolacha do pacote. Tanto não é que foi cancelada sem muito dó pela Netflix.

Aliás, este 2017 foi o ano em que as pessoas descobriram que a Netflix é uma empresa e, como tal, visa o lucro. Foi um choque ela cancelar séries queridas pelo público, mas que não davam o retorno financeiro suficiente, como The Get Down e Girlboss. Mais surpreendente ainda foi perceber que séries ruins, porém com audiência, estão muito bem protegidas na plataforma, sim, senhor.

Por isso, nesta lista abaixo a Netflix entra com cinco séries ruins este ano. Não é implicância minha. As outras quatro são de TV aberta, com exceção de uma produção a cabo, que ironicamente foi distribuída mundialmente pela Netflix. Confira as 10 piores séries do ano na minha opinião. Não vale xingar o coitado do colunista.

10. 13 Reasons Why – 1ª temporada (Netflix)

'13 Reasons Why'
’13 Reasons Why’. Foto: Reprodução.

Já vou começar dizendo que o tema central dessa série é importante e fez muita gente falar sobre depressão e suicídio este ano. Esse mérito ninguém tira. Também quero dizer que entendo que a série é um míssil direcionado aos jovens e que toda a estratégia deu certo. A série pegou. Mas é ruim, é muito ruim. Nós temos várias séries jovens que não subestimam a inteligência dos adolescentes e que apresentam um roteiro absurdamente bom (escrevi um texto sobre isso aqui), então nada justifica uma produção com um roteiro tão ruim e com diálogos tão pobres.

Eu entendo que o tema da série ultrapassou sua execução, por isso, aqui, julgo apenas o produto, porque é um produto mal feito. Personagens clichês, forçação de barra até dizer chega, atuações medianas, diálogos que dão bastante vergonha e ações das personagens que não fazem o menor sentido foram apenas alguns pontos baixos dessa que até hoje eu não entendi como teve tanto elogio. Além disso, o episódio de Clay indo fazer uma escalada para pensar na vida está entre as coisas mais constrangedoras que eu vi este ano. E a série ainda foi renovada para uma segunda temporada, numa tentativa desesperada de monetizar em cima de um arco que já estava fechado.

9. 24: Legacy (FOX)

'24h Legacy'
’24h Legacy’. Foto: Reprodução.

Essa nem tem muito o que dizer, mas eu coloquei na lista porque, quando comecei a assisti-la, no inicio do ano, achei que o reboot poderia dar um fôlego à franquia. Mas não rolou. E não é nem porque Jack Bauer não existe mais na história e sim porque os roteiristas não se esforçaram.

Reviravoltas tediosas, vilões esquecíveis e uma história sem graça fizeram o legado de 24 Horas ficar bem vergonhoso. E a FOX ainda planeja mais um reboot para os próximos anos. Que desespero.

8. Orange is The New Black – 5ª temporada (Netflix)

Orange Is the New Black
‘Orange Is the New Black’. Foto: Divulgação.

É com dor no coração que coloco a série da Netflix na lista, mas o quinto ano não só deu vergonha de assistir como foi entediante. A série não conseguiu manter o humor afiado e apostou num pastelão preguiçoso e também não manteve a tensão vista no quarto ano.

A rebelião no presídio virou meio que um filme da Sessão da Tarde com presidiárias loucas aprontando todas. Algumas questões pertinentes deram certo aqui e ali, especialmente todo o luto com a morte de Poussey, mas no quadro geral, a série se encheu de histórias enfadonhas em 13 intermináveis e longos episódios.

7. The Orville – 1ª temporada (FOX)

The Orville
‘The Orville’. Foto: Divulgação.

A tentativa de Seth MacFarlene de produzir uma sátira espertinha de Star Trek não deu certo e The Orville é uma comédia de 40 minutos (!!) em que as piadas não funcionam. Ou seja, não faz rir quando tenta ser engraçada e não envolve quando tenta ficar um pouco séria. A atuação de MacFarlene é bem fraquinha e as histórias não têm um ritmo bom. Talvez funcionaria bem mais se tivesse apenas 30 minutos e não tentasse se levar a sério.

6. Gypsy – 1ª temporada (Netflix)

Gypsy
‘Gypsy’. Foto: Divulgação.

Uma trama estrelada por Naomi Watts sobre uma psicóloga que começa a se relacionar intimamente com pessoas próximas de seus pacientes. Não era para dar errado, mas deu. Personagens rasos, situações forçadas e um roteiro que anda em círculos fizeram de Gypsy uma bela de uma decepção.Para piorar, os roteiristas estavam confiantes de que a série iria vingar e deixaram dezenas de pontas soltas que não serão respondidas porque a Netflix cancelou a produção sem dó nem piedade.

5. Punho de Ferro – 1ª temporada (Netflix)

Aqui eu posso juntar minha preguiça com séries e filmes de super-heróis, mas Punho de Ferro parece ter quase ganhado o ódio geral do público. Se a história da Marvel já era meio fraquinha, a série consegue piorá-la, apresentando um protagonista ruim, personagens meia boca e até cenas de luta enfadonhas e mal ensaiadas.

4. Inhumans – 1ª temporada (ABC)

Mais uma adaptação da Marvel que, no início, não achei tão ruim quanto o povo dizia, mas no decorrer de mais episódios a série se mostrou péssima mesmo. Não dá para entender como uma produção milionária consegue se mostrar amadora nas telas. Também erraram feio em exibir os primeiros episódios em IMAX, apenas para reforçar a baixa qualidade visual.

O grande problema é que, além do roteiro ser ruim, os personagens não têm carisma (tirando o cachorro) e os conflitos são fracos. Mais o mais curioso é que eu nunca vi uma reação tão negativa do público para uma série. Basta dar uma busca rápida no Google para ler os milhares de comentários depreciativos que são mais coerentes que o próprio roteiro. Uma pena.

3. The Good Doctor – 1ª temporada (ABC)

Essa não importa o que eu diga, é o hit da temporada para a ABC, mas é muito, muito ruim. Desde o texto até a direção, nem a atuação de Freddie Highmore salva. Com diálogos expositivos e situações forçadas que deixariam até McGyver impressionado, The Good Doctor é um festival de clichês que chega a parecer o modelo de televisão dos anos 1990. E o mais impressionante é que tudo isso saiu da cabeça do criador de House. Não dá para entender.

2. Friends From College – 1ª temporada (Netflix)

Não é apenas sem graça, é ridícula. Um elenco mega talentoso e uma história bacana sobre amigos de faculdade que se encontram depois de anos vira uma das experiências mais sem graça que a Netflix já produziu. Chega a ser ofensivo como todos os personagens são insuportáveis, o que deixam uma missão impossível para o público, que é gostar ou torcer por alguém. No final, ninguém é amigo de ninguém e também não interessa, porque ninguém se importa. Mas a série foi renovada.

1. O Nevoeiro – 1ª temporada (Spike TV/Netflix)

Stephen King viu muitas adaptações de seus livros este ano e, surpreendentemente, várias delas foram muito boas. Não é o caso de O Nevoeiro. Claramente houve esforço para juntar os piores roteiristas da história da indústria televisiva junto com os piores atores que já existiram no mundo. Tudo é ruim, desde os diálogos, os efeitos especiais e os conflitos, que tentam criar uma complexidade, mas que soam mais falsos do que o nevoeiro digitalizado que aparece na tela.

Há uma chance de você curtir a série caso não leve as coisas a sério, mas O Nevoeiro quer que você leve o que está ocorrendo ali a sério, então não funciona muito bem. Mas nada supera Eve e Alex, mãe e filha, duas personagens que já entraram na minha lista particular de pessoas mais irritantes que já existiram na TV. Foi uma tortura assistir a isso até o final.

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Rodrigo Lorenzi

Rodrigo de Lorenzi é jornalista, formado pela PUCPR. Foi colunista de cinema na Gazeta do Povo e ganhador do prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense. Escreve sobre séries e TV em geral. Ainda não superou o fim de Breaking Bad.

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