Olhar em Série

As maiores séries dos anos 80

Trocando em Miúdos: Após o imenso sucesso de Stranger Things, a coluna Olhar em Série relembra as maiores produções de uma década dominada por seriados policiais, crianças travessas e super-heróis japoneses.

Graças a Stranger Things e também  a uma infinidade de remakes produzidos pela televisão e pelo cinema, os anos 1980 voltaram a povoar o imaginário dos mais saudosos e até daqueles que nem na década nasceram, mas se identificam com um estilo que continha muito colorido, dramas familiares, séries policiais, invasão de heróis japoneses e casais marcantes.

Além disso, houve um considerável aumento de produções nacionais, com séries de imenso sucesso de público e crítica, como Armação Ilimitada e O Bem Amado. Infelizmente, todas elas eram obrigadas a enfrentar a tensa censura federal, que picotava sem dó as narrativas de diversas séries e novelas.

E se os norte-americanos tinham o privilégio de assistir às séries assim que elas iam ao ar, os brasileiros precisavam esperar um, dois, até três anos para conhecer uma história nova ou saber o que teria acontecido com determinado personagens. Isso porque as emissoras demoravam anos para obter os direitos de exibição, além de levar mais um bom tempo para dublar toda a temporada. Ao mesmo tempo, não existia internet, VHS e a televisão a cabo nem sonhava em ser popular. O amaldiçoado e odiado spoiler, então, não fazia parte do vocabulário brasileiro.

Por isso, para relembrar a (talvez) década mais saudosa de todas as décadas, a coluna Olhar em Série selecionou as produções mais queridas daqueles tempo, até aquelas esquecidas no fundo de memória, mas que marcaram uma geração.

20. Acredite Se Quiser (1982 – 1986)

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Foto: Divulgação

Sucesso na Globo, Manchete e Band, a série Ripley’s Believe It or Not (no Brasil Acredite Se Quiser) era baseada em uma coluna publicada em centenas de jornais em todo o mundo, apresentando fatos inusitados e inacreditáveis. O programa apresentava desde fenômenos do mundo animal, lendas urbanas e informações sobre o sobrenatural até cientistas de valor histórico como Nikola Tesla. A série teve quatro temporadas exibidas pela ABC. Durante anos, Acredite Se Quiser apresentou diversos casos bizarros, como biquínis feitos de cabelo humano, um cinto de castidade da Idade Média e uma estátua criada com US$ 264 mil em notas jogadas fora pelo governo, cortadas e remontadas na figura de Marilyn Monroe. A série fez tanto sucesso que foram abertos diversos museus pelos Estados Unidos para mostrar objetos e casos estranhos.

19.V (1983)

V
Foto: Divulgação

Uma minissérie de apenas dois episódios acabou se tornando uma das produções mais lembradas até hoje. Quando uma raça de alienígenas pousa na Terra, aparentemente inofensivos e amigos, querendo acabar coma pobreza, a fome e a guerra, os terráqueos se sentem sortudos. Porém, o que ninguém sabia era que esses seres não eram nada amistosos e estavam preparando a Terra para que servisse de alimento para a raça, que não pareciam nada com os seres humanos. A minissérie foi elogiada por utilizar o argumento para uma metáfora aos efeitos do nazismo antes da Segunda Guerra Mundial.

18. Manimal (1983)

Manimal
Foto: Divulgação

Embora a série tenha durado apenas uma temporada com oito episódios, Manimal se tornou aquelas produções queridas, especialmente entre as crianças dos anos 80, hoje adultas e saudodas. Exibida pela NBC, a produção contava a história de Jonathan Chase, um homem que era capaz de se transformar em qualquer animal que desejasse. Ele ajudava a detetive Mackenzie a resolver alguns mistérios que aconteciam na cidade. Manimal se destacava pelos ótimos efeitos especiais de transformação – que estavam em moda depois do videoclipe Thriller, de Michael Jackson.

17. O Fantástico Jaspion e Changeman (1985)

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Foto: Divulgação

Embora as duas produções não tenham feito muito sucesso no Japão, Jaspion e Changeman marcaram uma geração de crianças no Brasil. Quem trouxe as duas séries para o país foi o empresário Toshihiko Egashira. Antes de licenciar os seriados para a televisão, ele tinha uma locadora com um acervo de programas gravados da TV japonesa. O interessante de Jaspion era que, além das lutas, as histórias iam ficando mais sérias perto do fim. A personalidade e o visual do personagem iam ficando mais maduros com o passar dos episódios, para que os jovens japoneses sentissem o peso da responsabilidade de envelhecer. A série obteve tanto sucesso que não era difícil sua audiência superar a Rede Globo, mesmo sendo transmitida pela pequena Manchete. No auge, Jaspion obteve os maiores índices de audiência da história da emissora.

Outra grande série japonesa que marcou época foi Changeman. Também exibida pela TV Manchete, Record e Band, o seriado conquistou o público pelo carisma dos heróis que surgiram num momento em que nada de novo no gênero estava aparecendo na televisão brasileira. A última invasão japonesa havia acontecido em 1960, com Nacional Kid.

16. Magnum (1980 – 1988)

Magnum
Foto: Divulgação

Uma das séries de maior sucesso dos anos 80, Magnum marcou a carreira de Tom Selleck, que acabou ganhando um Emmy e um Globo de Ouro. Magnum foi sucesso de crítica por não utilizar as cenas de ação gratuitamente, já que  focava em uma trama esperta e bem-humorada, mostrando o protagonista como um homem marcado por traumas físicos e morais. Magnum era um ex-oficial da Marinha americana que se desligou da instituição para se tornar jardineiro e investigador particular nas horas vagas. A série deveria ter terminado na sétima temporada, com Magnum sendo morto ao levar um tiro de mafiosos, mas os fãs fizeram uma grande pressão e o ator voltou para mais 13 episódios, encerrando a história no oitavo ano.

15. Esquadrão Classe A (1983 – 1987)

Esquadrão_Classe_A
Foto: Divulgação

Se algo deu certo nas séries policiais dos anos 80 foi a mistura de ação e humor. Por isso, Esquadrão Classe A fez um imenso sucesso ao ser exibido pelo SBT. O grupo é formado por quatro ex-combatentes do Vetnã, obrigados a se tornar mercenários depois de fugirem de uma prisão de segurança máxima, onde estavam presos sob a falsa acusação de terem roubado milhões em barras de ouro de um banco em Hanói. No Brasil, a série venceu o Troféu Imprensa de melhor seriado em 1984.

14. Profissão Perigo (MacGyver, 1985 – 1992)

MacGyver
Foto: Divulgação

“Não faz o MacGyver.” Um dos personagens mais icônicos dos anos 80, MacGyver virou referência pop. O personagem ficou famoso por ter uma mente privilegiada e conseguir, por exemplo, montar bombas e armas mortais com clipes de papel, lápis e chiclete. Os tempos ingênuos (e censurados) de 1980 omitiam qualquer referência sobre drogas na versão brasileira. O diálogos falavam sobre “muamba”, mas nunca sobre cocaína, maconha ou heroína. A série vai ganhar um remake em 2016, estrelado por  Lucas Till.

13. Primo Cruzado (1986 – 1993)

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Foto: Divulgação

A Rede Globo exibiu um programa chamado Sessão Comédia, entre 1976 e 1996, no qual mostrava ao público brasileiro diversas séries e filmes de humor americanos. Além do enorme sucesso de As SuperGatas, a Globo exibiu aquela que é considerada uma das maiores comédias-pastelão da TV. Primo Cruzado teve oito temporadas e contava a história de Larry Appleton, que depois de vários anos morando com sua gigantesca famíia, se muda para um apartamento onde ele tem seu próprio quarto. Mas o sossego de Larry acaba quando o primo Balki sai de uma remota ilha na costa grega para morar com ele. A série foi exibida no Brasil enquanto o país passava por um momento complicado, com o Plano Cruzado (por isso o nome). Na adaptação para o português, Balki foi batizado de Zeca, e tinha um sotaque mineiro, dublado pelo talentoso Newton da Matta.

12. Caras & Caretas (1982 – 1989)

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Foto: Divulgação

No auge do sucesso, Family Ties ficou dois anos consecutivos em segundo lugar na lista de programas mais vistos dos EUA e transformou Michael J. Fox num dos atores mais queridos do mundo. No Brasil, Caras & Caretas também alcançou imensa popularidade ao mostrar como o casal Elyse e Steve Keaton, dois ativistas políticos dos anos 60, conseguia lidar com o crescimento dos quatro filhos, sem se prender às amarras dos clichês de séries familiares. Frequentemente, a série abordava temas espinhentos para a época, como igualdade racial, igualdade entre os gêneros, Guerra Fria e o caso Watergate.

11. Três É Demais (1987 – 1995)

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Foto: Divulgação

Recentemente adicionada ao catálogo da Netflix e com um reboot não muito elogiado, Full House foi um fenômeno tanto nos EUA quanto no Brasil.  Para a época, o enredo era ousado e diferente: Jack precisa arrumar um lugar melhor para morar. Ele conhece Janet e Chrissy, que o convidam para morarem todos juntos. Mas o síndico só permite após as duas garotas dizerem que Jack é gay.

10. O Bem Amado / Dona Santa / A Casa de Irene / Armação Ilimitada

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Foto: Divulgação

Os anos 80 ainda produziam poucas séries originais, mas o que foi exibido na época acabou fazendo história. Criação de Dias Gomes para o teatro, O Bem Amado  foi exibida entre 1980 e 1984 – baseada na novela homônima de 1973. Dez anos após o final da novela, o próprio Dias Gomes quis criar uma série sobre Odorico Paraguaçu (Paulo Gracindo). A série não era uma continuação da novela, mas mostrava a relação do prefeito com as figuras caricatas que viviam na cidade, como Zeca Diabo, as irmãs Cajazeiras, a delegada Chica Bandeira, entre outros. Mesmo com o roteiro sutil, O Bem Amado sofria imensos cortes da censura, que chegava a descartar episódios inteiros.

Já a Band obteve sucesso com Nair Bello e sua Dona Santa, uma motorista de táxi que pegava os mais divertidos passageiros. A série deu tão certo que a Band criou A Casa da Irene, na qual Nair era a matriarca de uma família italiana, dona de uma pensão frequentada por vários personagens cômicos.

Armação Ilimitada não apenas fez um imenso sucesso como ganhou prêmios importantes, como o Ondas, da Sociedade Espanhola de Rádio e Televisão de Barcelona. A série fez história na televisão brasileiras ao inovar na edição e na linguagem, transformando o seriado numa espécie de história em quadrinhos. A dupla de surfistas Juba (Kadu Moliterno) e Lula (André diBiasi) são donos de uma empresa, a Armação Ilimitada, que presta serviços de dublês e trabalhos diversos envolvendo esportes radicais. Os dois tomam conta de um menino abandonado chamado Bacana (Jonas Torres), que os ajuda em algumas de suas aventuras. Os dois gostam de Zelda Scott (Andréa Beltrão), uma repórter em busca da verdade dentro do estranho jornal Correio do Crepúsculo. A série era narrada por Back Boy, como se tudo não passasse de uma grande radionovela.

9. Casal 20 (1979 – 1984)

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O nome da série acabou virando bordão para os casais cheios de afinidade. Sucesso de público em quase todos os países em que foi exibido, Casal 20 ganhou esse título no Brasil porque a tradução literal de Hart to Hart não faria sentido. Como a atriz Bo Derek estava fazendo sucesso com o filme Mulher Nota 10, tiveram a brilhante ideia de juntar um homem nota dez com outra mulher nota dez, formando um casal 20. Criada pelo escritor Sidney Sheldon, a série apresentava Jonathan e Jennifer Hart, um casal milionário que a cada episódio acabava se envolvendo com algum crime misterioso, um caso de espionagem ou um assassinato.

8. A Gata e o Rato (1985 – 1989)

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Protagonizada por Bruce Willis e Cybill Shepherd, que interpretavam uma dupla de detetives particulares, a série era uma mistura de comédia, drama e romance e acabou se tornando em um dos maiores clássicos das séries de detetives e casais. A grande sacada foi inovar nos roteiros e quebrar com tudo o que se esperava de uma série policial. Os roteiristas criaram um episódio musical, filmaram em preto e branco, refizeram histórias clássicas como O Destino Bate à Sua Porta e fizeram os personagens conversarem com a câmera, recurso inovador nos anos 80. Enquanto nos EUA a série alcançava uma imensa popularidade – acompanhada de tensões nos bastidores – o público brasileiro sofreu com a falta de respeito da Globo, que tirou a série do horário nobre em determinado momento e passou a exibi-la aos domingos, editando vários episódios e suprimindo a exibição de algumas das divertidas aberturas em que Maddie e David apresentavam os episódios de uma forma nunca vista antes numa série de TV.

7. A SuperMáquina (1982 – 1986)

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Protagonizado por David Hasselhoff, a SuperMáquina fez tanto sucesso no Brasil que o ator visitou o país numa ação da Universal com o SBT. Ele foi entrevistado nas cataratas do Iguaçu pelo programa Viva a Noite. A série conquistou o público por causa de seu argumento inovador de colocar um carro falante como personagem (Pontiac Trans Am).

6. ALF – O ETeimoso (1986 – 1990)

ALF
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Cultuada entre crianças e adultos, ALF (que signfica Alien Life Form) fez imenso sucesso, especialmente no Brasil. Inspirada no filme E.T – O Extraterreste, de Setven Spielberg, a série contava a história do alienígena ALF, que segue um sinal de rádio amador para a Terra e acaba caindo na garagem da casa dos Tanner. Os Tanner são uma típica família de classe média da Califórnia, composta pela assistente social Willie (Max Wright), sua esposa Kate (Anne Schedeen), sua filha adolescente Lynn (Andrea Elson), o filho mais novo Brian (Benji Gregory), e o gato Lucky. Dublado na versão brasileira por Orlando Drummond (a voz do Scooby Doo), ALF ganhou espaço nas manhãs de domingo em diversas emissoras.

5. Miami Vice (1984 – 1990)

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Miami Vice fez um estrondoso sucesso no mundo todo ao acompanhar o cotidiano dos policiais na luta contra o tráfico de drogas, a prostituição e o submundo do crime em Miami, a bordo de carros conversíveis e grandes lanchas. No Brasil, a série foi exibida pelo SBT, Globo e Gazeta, mas, na íntegra, só na TV a cabo. A série teve o seu auge em 1986 e 1987 quando cada episódio chegou a custar US$ 1 milhão, batendo recordes de audiência sucessivos.

4. Anjos da Lei (1987 – 1991)

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Foto: Divulgação

Se hoje Johnny Depp amarga filmes ruins com escândalos tenebrosos, no final nos anos 1980 ele despontava como um dos atores mais promissores da época em uma série que alavancou o canal FOX americano. Anjos da Lei é sobre um grupo de jovens policiais que são recrutados logo após saírem da Academia de Polícia de Los Angeles para atuar como agentes infiltrados em escolas e universidades, impedindo tráfico de drogas, assaltos, estupros e outros crimes. Por serem jovens, esses policiais não têm experiência em lidar com seus próprios sentimentos em relação aos casos que investigam, principalmente quando se envolvem afetivamente.

3. Punky – A Levada da Breca (1984 – 1988)

Punky
Foto: Divulgação

Uma das séries mais queridas pelo público infantil norte-americano fez enorme sucesso no Brasil pelo SBT. Punky, A Levada da Breca conta a história de Punky Brewster, uma garota abandonada pela mãe num supermercado. Vagando pelas ruas, ela encontra o cachorro Pinky e acaba indo morar com um zelador, Arthur Bicudo, que a adota. O sucesso foi tanto que a série ganhou um desenho animado, também exibido pelo SBT no Brasil.

2. Os Gatões (1979 – 1984)

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Foto: Divulgação

No ar por sete anos, Os Gatões foi uma das produções de maior sucesso dos anos 1980. A série se passava no Condado de Hazzard, uma cidadezinha do interior do estado da Geórgia, onde Tio Jesse tinha um rancho em que sua principal atividade era a produção e comercialização de uísque clandestino (o famoso “moonshine”). Com a ajuda de seus sobrinhos Bo Duke e seu primo Luke Duke, eles faziam a entrega e a distribuição da bebida, até um dia em que eles foram apanhados pela polícia.

1. Chaves (1970 – 1992)

Chaves
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No Brasil, talvez nenhuma série reverbere tanto os anos 80 como Chaves. Com sete temporadas e quase 300 episódios, El Chavo del Ocho foi e ainda é um fenômeno cultural, de audiência e de público. Dublado pelo talentoso Marcelo Gastaldi, a série permanece no ar até hoje no Brasil – mais de 30 anos após a primeira exibição – conquistando novas gerações. Outro personagem bastante querido foi Chapolin, considerado o herói da América Latina, criado por Roberto Bolaños para contrapor os super-heróis americanos, mostrando que a verdadeira coragem não é ser um destemido, mas enfrentar seus próprios medos.

Fontes consultadas:
IMBD

Wikipédia

Almanaques dos Seriados / Paulo Gustavo Pereira – São Paulo. Ediouro, 2008.

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Rodrigo Lorenzi

Rodrigo de Lorenzi é jornalista, formado pela PUCPR. Foi colunista de cinema na Gazeta do Povo e ganhador do prêmio Sangue Novo no Jornalismo Paranaense. Escreve sobre séries e TV em geral. Ainda não superou o fim de Breaking Bad.

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