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'When We Rise' é uma obra obrigatória para não esquecermos a história. Foto: Divulgação.
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Imaginem a Globo exibindo uma minissérie em que mostra a história da luta de gays, lésbicas, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros. Tudo isso com direito a cenas de beijo na boca, sexo e imagens reais de políticos reacionários emitindo opiniões homofóbicas, tentando anular todo e qualquer direito possível. Foi exatamente isso que a rede de televisão ABC, considerado um dos canais mais conservadores do país, fez nos Estados Unidos. A minissérie When We Rise conta a trajetória do movimento gay e toda a batalha para que, hoje, os EUA permitam o casamento homoafetivo em todos os estados.

Escrito por Dustin Lance Black (vencedor do Oscar por Milk: A Voz da Igualdade) e dirigido por Gus Van Sant, Dee Rees, Thomas Schlamme, além do próprio Black, When We Rise abrange cinco décadas no movimento dos direitos dos homossexuais, focando principalmente em três personagem, baseados em pessoas reais, interpretados por diferentes atores a cada duas décadas. Cleve Jones (Austin McKenzi e Guy Pearce) é um garoto tímido que resolve tentar a vida em São Francisco e se envolve nos movimentos libertários do início dos anos 1970; Roma Guy (Emily Skeggs e Mary-Louise Parker) é uma uma feminista que luta pelos direitos das mulheres enquanto tenta assumir sua homossexualidade e Ken Jones (Jonathan Majors e Michael K. Williams) é um soldado da Marinha que precisa esconder seu segredo por medo da retaliação do governo. Além disso, há também a companheira de Roma, Diane (Fiona Dourif e Rachel Griffiths), que assume um importante papel na história, especialmente quando somos levados aos anos 1980 e ao surgimento da Aids.

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Minissérie aborda os momentos cruciais do movimento LGBT nos EUA. Foto: Divulgação.

Ao explorar facetas complicadas do movimento LGBT, a minissérie acerta ao adotar um tom político.

Misturando um linguagem documental e dramatização, When We Rise parece, muitas vezes, uma obra panfletária, mas não é. Ao explorar facetas complicadas do movimento LGBT, a minissérie acerta ao adotar um tom político e contar como os jovens de antes abriram um imenso caminho para os diretos civis atuais. O primeiro episódio, por exemplo, se preocupa em destacar tanto gays e lésbicas quanto transgêneros dos anos 1970 e 1980, além de mostrar táticas de organização, alianças políticas e tensões entre feministas radicais que não aceitavam lésbicas e homens no movimento e a luta de mulheres negras lésbicas.

E ao mesmo tempo em que When We Rise oferece personagens extremamente cativantes e que existiram de fato, cada década traz uma história de luta marcada por poucas conquistas e muita dor. Ainda que estas conquistas tenham mudado historicamente o modo como os EUA e o mundo enxergam os homossexuais, a minissérie deixa claro que, não importa os direitos conquistados, sempre terá alguém tentando destruí-los. Em determinado episódio, por exemplo, um personagem pergunta: “Como é viver numa geração sem nenhum propósito?”, comentário direcionado a um jovem que parece não se levantar e lutar pelos seus direitos.

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‘When We Rise’ chega ao Brasil apenas em junho, pelo canal Sony. Foto: Divulgação.

De forma inteligente, a minissérie não fala apenas para um gueto ou para a comunidade LBGT, já que isso tornaria o discurso vazio. Entendendo a obra como um ato político, When We Rise escancara o preconceito ao mostrar declarações violentas dos próprios norte-americanos — incluindo o ex-presidente George W. Bush — para logo depois mostrar a luta dos militantes para conseguir direitos básicos. É como se o texto estivesse provocando a audiência a encarar sua homofobia. Assim, o roteiro passeia pelo direito ao amor livre dos anos 1970, questionando a estrutura monogâmica; revisita o fantasma da Aids e a tentativa do governo em transformar a epidemia em uma arma contra gays; mostra a luta da comunidade contra a Proposição 8 da Califórnia, que baniu o casamento de indivíduos do mesmo sexo, até a histórica decisão da Suprema Corte ao colocar o casamento gay como direito constitucional.

De fato, a representação destes acontecimentos servem como uma espécie de homenagem para todos os LGBTs, mas soa ainda mais importante quando falado para héteros conservadores, que tentam invalidar os direitos adquiridos e promovem discursos de ódio.

Mesmo When We Rise adotando uma estrutura narrativa convencional, a minissérie carrega uma extrema força política apenas por existir e por ser exibida pela ABC. Infelizmente, a obra enfrentou críticas ferrenhas desde quando o trailer foi divulgado. Nas quatro noites de exibição, When We Rise não passou dos 3 milhões de espectadores, número extremamente baixo para os padrões. Os comentários homofóbicos e a ira do conservadorismo norte-americano provam que produções como estas não devem ser esquecidas.

Em tempos nos quais Donald Trump revoga leis que vão regredindo os direitos adquiridos depois de tanta luta, como o de escolas públicas permitirem que estudantes transgêneros usem banheiros de acordo com sua identificação, When We Rise se torna uma minissérie obrigatória e que, no mínimo, deveria ganhar atenção mundial.

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