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Mostra coletiva no Sesc Paço da Liberdade busca expor diferentes visões da arte no ambiente urbano. Imagem: Divulgação.

Transitivo: transitório, efêmero, passageiro, provisório, temporário.

Inicialmente pode parecer curioso que a mostra coletiva Espaços Transitivos, em cartaz no Sesc Paço da Liberdade desde a última sexta-feira (25) até 15 de fevereiro, trate justamente do espaço urbano, esse elemento da vida cotidiana composto por todo o seu concreto e que parece ser sempre tão duro e permanente.

Marshall Berman talvez explique a aparente contradição já na introdução de Tudo que é sólido desmancha no ar: “Ser moderno é encontrar-se em um ambiente que promete aventura, poder, alegria, crescimento, autotransformação e transformação das coisas em redor – mas ao mesmo tempo ameaça destruir tudo o que temos, tudo o que sabemos, tudo o que somos. A experiência ambiental da modernidade anula todas as fronteiras geográficas e raciais, de classe e nacionalidade, de religião e ideologia: nesse sentido, pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia”.

E é dessa maneira, apostando nas diversas contradições da vida moderna na urbe, que a exposição busca encontrar arte no espaço nosso de cada dia, aquele pelo qual passamos apressados e por não ter tempo de parar e olhar, já acostumamos o nosso olhar a não parar.

Por esse motivo, os artistas Bruno Oliveira, Deborah Bruel, Eliane Prolik, Giovanna Lima e Juliana Gisi apresentam cada um à sua maneira uma visão para o espaço urbano, dando ao visitante a possibilidade de enxergar mais explicitamente o sublime em um meio banal.

E do mesmo modo que a cidade se forma de diferentes formas, a mostra também se vale disso para compor um conjunto coeso mesmo com diferentes visões, expressões e transições.

‘…pode-se dizer que a modernidade une a espécie humana. Porém, é uma unidade paradoxal, uma unidade de desunidade: ela nos despeja a todos num turbilhão de permanente desintegração e mudança, de luta e contradição, de ambiguidade e angústia’ – Marshall Berman

Assim, Juliana Gisi aposta na fotografia de espaços internos para talvez demonstrar a solidão que habita em nós mesmo estando em meio a diversos passantes. Frios, circunspectos e sombrios. Assim somos nós, tal qual as suas fotografias, que apostam em conjuntos de linhas ora padronizados, ora opostos mas que nos possibilita encontrar o belo por meio de formas circulares e luminosas.

Já Eliane Prolik também segue o mesmo paralelismo, mas em celofane, para trazer o brilho e remeter à cidade composta por traços horizontais que formam a verticalização gradualmente mais frequente.

Essa sobreposição de elementos é também o principal foco das lentes de Deborah Bruel, que usa imagens sobrepostas e ajuda a simular o nosso olhar diante da metrópole ao congelar o instante em que uma enxurrada de informações disputa a nossa atenção.

Enquanto isso, Giovanna Lima representa um certo respiro ao levar para dentro do museu aquilo que ela já faz nas ruas, dando poesia e cor à cidade cinza. Assim, ela simula espaços como uma porta e uma parede de cerâmica para servir de suporte à sua arte, que também reflete sobre a urbe ao tratar de dilemas que se afogam em bares e da cidade recriada em sua poesia.

E até mesmo o espaço do Paço vira mote da exposição, uma vez que o antigo elevador do local também serve de instalação, bem como o fato de o espaço estar em obras faz com que a obra se constitua mais urbana.

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