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A última dama – porque aprendemos a admirar Michelle Obama

Trocando em Miúdos: Opiniões fortes, sensibilidade, inteligência e comportamento humanista, além de senso apurado de moda, são marcas deixadas por Michelle Obama. A primeira-dama norte-americana é a personagem da coluna desta semana.

O mundo da moda assistiu de camarote nos últimos 8 anos o nascimento de um ícone fashion. Não se trata de alguém que se enquadra nos padrões de beleza vigentes na publicidade, que poste milhares de selfies numa viagem de final de semana ou que tenha se transformado num bibelô bem vestido “por trás de um grande homem”.

Michelle Obama tem sido a protagonista de sua própria jornada na Casa Branca, tanto por suas opiniões fortes, sensibilidade, inteligência e comportamento humanista, quanto por redefinir o significado do papel de primeira-dama em termos de roupas.

Ela tem trocado os tailleurs pelas cores, estampas e decotes.
Michelle Obama tem trocado os tailleurs pelas cores, estampas e decotes. Foto: Reprodução.

Ano após ano ela naturalmente criou em torno de si uma expectativa em relação à sua indumentária, seja para um jantar formal, um discurso, uma vivência em uma horta comunitária ou em um passeio com Barack e as filhas.

Ano após ano ela naturalmente criou em torno de si uma expectativa em relação à sua indumentária, seja para um jantar formal, um discurso, uma vivência em uma horta comunitária ou em um passeio com Barack e as filhas. E, independentemente de estar de H&M ou Armani, ela quase sempre agradou – e muitas vezes surpreendeu.

Muito já se comparou Michelle à Jackie Kennedy, mas a era midiática em que vivemos forneceu à senhora Obama a possibilidade de uma influência profunda na indústria da moda. Principalmente nos primeiros anos, quando Michelle usava algo de uma fast fashion os estoques se esgotavam em algumas horas. Um designer em ascenção era alçado ao patamar de estrela da noite para o dia ao vestir a primeira-dama. Ela se tornou espontaneamente a garota-propaganda mais efetiva do mundo.

Michelle para revista Vogue.
Michelle para revista Vogue. Foto: Reprodução.

Michelle tem evitado os terninhos e jaquetas acolchoadas usados ​​por suas antecessores em favor das estampas florais, tons vibrantes e vestidos sem mangas, deixando implicitamente claro que ser mulher e exibir sua feminilidade não a faz menos primeira-dama. E, sobretudo, tem enviado a mensagem de que ser uma mulher poderosa e influente não significa necessariamente estar vestida exclusivamente de grifes famosas. Significa vestir-se como quem você é e estar confortável em sua própria pele, ter sua própria identidade. E é isso que a faz especial, única e inclusiva.

Impecável e surpreendente nas aparições oficiais.
Impecável e surpreendente nas aparições oficiais. Foto: Reprodução.

Michelle criou protocolos próprios para sua posição. Quando anfitriã, tende a escolher os designers que honram o país convidado de alguma forma. Isso inclui o vestido amarelo pastel Naeem Khan, que usou para se encontrar com o primeiro-ministro indiano; o roxo vibrante Tadashi Shoji, que usava na homenagem ao primeiro-ministro japonês e sua esposa e o vestido orquídea feito pelo designer coreano Doo-Ri Chung ao hospedar o primeiro-ministro sul-coreano.

Michelle e o presidente Obama no último jantar de gala na Casa Branca: vestido Versace em homenagem a visitante italiano.
Michelle e o presidente Obama no último jantar de gala na Casa Branca: vestido Versace em homenagem a visitante italiano. Foto: Reprodução.

Nessa imersão fashion-cultural, ela guardou o melhor para o final. Há alguns dias, no jantar de gala na Casa Branca em homenagem à Itália, apareceu com um deslumbrante vestido ouro rosa do atelier Versace solidificando o legado Michelle O. em seu último jantar de gala como primeira-dama dos Estados Unidos.

A escolha evidencia uma das principais características de Michelle: ela não tem medo de errar, nunca joga no óbvio, seja segurando uma cor surpreendente e até mesmo um acessório como uma luva que vai até o cotovelo. Numa das vezes que foi capa da “bíblia” da moda, a revista Vogue, ostentou uma corajosa franja.

Para uma mulher, é irresistível não se colocar no difícil e atraente lugar de Michelle Obama: o centro das atenções e das críticas. Mas o melhor é vê-la fazer tudo parecer uma moleza, com seu senso inato de graça e estilo, sua dignidade e sua inteligência.

Michelle em um dos seus muitos visuais práticos e "reais".
Michelle em um dos seus muitos visuais práticos e “reais”. Foto: Reprodução.

A aparência desta última dama norte-americana não é uma aspiração, mas um visual viável e prático para as cidadãs reais. Michele Obama é visionária numa era de Kardashians, uma mulher que está despretensiosamente se divertindo com a moda. Uma tarefa muito difícil, se considerarmos o fato de que ela tem sempre mil câmeras voltadas para si.

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Dançando com a apresentadora Ellen Degeneres. Foto: Divulgação.

Michelle é uma mulher que encoraja as outras a romperem com os moldes. Em tempos de obesidade, deturpações cirúrgicas e anorexia, é alguém que incentiva a saúde e o fitness. Ela significa inclusão e diversidade. E tudo isso está totalmente enraizado em seu senso de estilo e em sua personalidade. Por isso, é tão especial e admirável.

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Dani Brito

Dani Brito é jornalista, formada pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), tem especialização em História da Arte do Século 20 pela Embap. Foi repórter e editora no jornal Gazeta do Povo durante 14 anos, onde desenvolveu apreço pelo mundo da moda ao cobrir as principais fashion weeks nacionais. Participou do quadro Moda, na rádio Mundo Livre FM durante dois anos, e concebeu o programa Moda Básica, da ÓTV, ao qual foi coapresentadora durante um ano. Atualmente toca o Dani Brito Bureau de Comunicação.

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