8M, feminismo e a maternidade

8M, feminismo e a maternidade

A maternidade nos indica um papel essencialmente político, afinal, atua-se em prol do mundo que desejamos para nossos filhos.

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feminismo 8M nenhuma a menos
Mulheres protestaram em todo o mundo. Foto: Ilyas Akengin/AFP.
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Nessa semana, com a passagem do Dia Internacional da Mulher, na quarta, me coloquei, mais uma vez, diante de um dos pensamentos mais cruéis com o qual tenho que conviver: sou mulher e, além disso, mãe de duas meninas – o que potencializa toda a revolta e tristeza diante do desrespeito e desigualdade pelos quais passam todas as mulheres.

Confesso que já pensei um milhão de vezes que a vida seria mais fácil se eu fosse homem. A primeira vez foi lá no início da adolescência, quando morria de vergonha de sair de casa para não conviver com cantadas. Foi na época que me dei conta sobre o que era o feminismo, entre os 13 ou 14 anos, lendo textos distribuídos por e-mail ou em salas do mIRC, não sei – nas madrugadas de internet discada. Esse sentimento foi crescendo, amadurecendo e me considero, com orgulho, uma feminista. Acredito na igualdade entre os gêneros e, na medida do possível, luto por isso.

Quando vi aquela criaturinha pequenina, entendi que devo lutar por ela e por todas as outras meninas e mulheres, porque ninguém merece ser desrespeitada sistematicamente.

Convivo desde então com todos os pequenos machismos de cada dia, com os caras babacas (e, ó azar, são muitos), com as mulheres que não se dão conta da sua condição de mulher, com as situações constrangedoras, com medo de andar na rua sozinha, com o meu próprio preconceito enraizado por anos de cultura patriarcal. Infelizmente: tudo normal.

Até que virei mãe. Logo depois que minha filha nasceu, ali nos primeiros dias convivendo com a bebezinha, eu me dei conta que tinha virado feminista de verdade. Porque só vendo aquele ser indefeso – eu já com quase 30 anos, um pouco tardiamente – finalmente entendi que ela não pode viver em um mundo machista. Ela não pode naturalizar todas as situações machistas que eu vivi e achei normal. Quando vi aquela criaturinha pequenina, entendi que devo lutar por ela e por todas as outras meninas e mulheres, porque ninguém merece ser desrespeitada sistematicamente.

Porque não pode ser normal o comercial de tevê que nos inferioriza. Não pode ser normal que a publicidade de produtos de limpeza seja direcionada às mulheres. Não pode ser normal que os pais não assumam a educação dos filhos em parceria com as mães. Não pode ser normal que a sociedade estranhe um pai presente. Não pode ser normal que as mulheres tenham jornadas duplas ou triplas. Não pode ser normal que as mulheres sejam vítimas de violência dentro de casa (nem fora). Não pode ser normal que as músicas que tocam na rádio reforcem os estereótipos e a violência contra a mulher. Não pode ser normal que as mulheres precisem estar “bonitas”. Não pode ser normal a imposição de um padrão de beleza irreal. Não pode ser normal que mulheres não possam andar sozinhas na rua ou que eu automaticamente troque o shorts por uma calça quando vou comprar pão às 7h30 da manhã (aconteceu comigo, acontece sempre, acontece a todo momento). Não pode ser normal a violência obstétrica. Não pode ser normal aceitar a piadinha machista que rola no grupo de WhatsApp da família.

Não pode ser normal que toda a programação do Dia da Mulher, todo ano, envolva maquiagem, decoração em rosa clarinho, flores ou palavras vazias sobre “ser especial”. Dá para manter tudo isso e incluir no pacote reflexão e mudança de atitude, para, enfim, imaginarmos um futuro mais otimista para nossas meninas.

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