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O nosso jeito Cazuza de ser

No 60º aniversário do poeta, mais que revisitar sua obra e trajetória de sucesso, fica o convite à reflexão sobre seu exemplo de vida às novas gerações.

Eu tinha 13 anos quando Cazuza partiu precocemente, aos 32, em 1990. Confesso que ainda não entendia direito o que estava acontecendo com o artista, que enfrentou preconceitos e encarou a luta contra a Aids sem se esconder. Minha lembrança mais forte daquele 7 de julho, assistindo ao noticiário de tevê, diz respeito ao comentário sentenciador de um adulto: “Viu só o que acontece com quem leva uma vida como a desse cara?”.

Quase três décadas depois, vejo que o cantor e compositor, que completaria 60 anos nesta quarta-feira, dia 4, deixou mais que canções e parcerias eternizadas na história da música brasileira. Cazuza transformou-se também em um ícone do jovem, uma figura que simboliza as dores e as delícias dessa fase tão turbulenta e repleta de emoções, sonhos e incertezas.

Cazuza transformou-se também em um ícone do jovem, uma figura que simboliza as dores e as delícias dessa fase tão turbulenta e repleta de emoções, sonhos e incertezas.

Cada uma das suas composições – “Exagerado”, “Vida Louca Vida”, “Brasil”, “Faz Parte do Meu Show”, “O Tempo Não Para”, entre muitas outras – traz a inquietude de quem simplesmente queria se entender, estabelecer seu real papel no mundo, sem medo ou limitações. Sua obra foi imortalizada justamente pela sua contemporaneidade, ou seja, independentemente de época e da tecnologia, os dilemas e anseios da juventude não mudam.

Luta pela vida

Agenor de Miranda Araújo Neto, ou simplesmente Cazuza, causava amor e ódio na mesma proporção. Chamado não por acaso de poeta, viu o mundo à sua volta desmoronar com o diagnóstico da doença que dizimou tantos jovens talentos à época – como Freddie Mercury e Renato Russo.

Cazuza tornou-se uma inspiração, mas também um símbolo de enfrentamento. Diante da desinformação em torno do assunto, ele teve coragem o suficiente de compartilhar na mídia sua batalha pela vida. Amparado pelos pais, amigos e fãs, brigou até o último suspiro com a Aids.

Em sua luta contra a Aids, Cazuza enfrentou preconceitos e não teve medo de expor sua fragilidade diante da doença
Em sua luta contra a Aids, Cazuza enfrentou preconceitos e não teve medo de expor sua fragilidade diante da doença. Imagem: Reprodução.

Neste 60º aniversário do grande ídolo de gerações, mais do que revisitar sua obra e trajetória de sucesso, vale também uma reflexão. Dados recentes do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, do Ministério da Saúde, revelam que a taxa de infectados nas faixas de 15 a 19 anos (crescimento de 187,5%, com a taxa passando de 2,4 para 6,9 a cada 100 mil habitantes) e de 20 a 24 anos (variação de 108%, passando de 15,9 para 33,1 infectados a cada 100 mil habitantes) aumentou demasiadamente entre 2006 e 2015.

Se a memória do artista ajuda a transformar vidas por meio da Sociedade Viva Cazuza, ONG criada por seus pais para oferecer assistência a crianças e adolescentes carentes portadores do vírus da Aids, que seu exemplo inspire também mudanças de comportamento. Afinal de contas, a liberdade sexual só faz sentido com responsabilidade, respeito ao outro e à própria saúde. Obrigado, poeta!

Relembre alguns sucessos de Cazuza no Spotify

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Cristiano Freitas

Cristiano Luiz Freitas é jornalista, roteirista e produtor cultural com quase 20 anos de experiência em projetos voltados aos públicos infantojuvenil e jovem. Com passagens pela Gazeta do Povo e Grupo RIC, atualmente desenvolve ações em comunicação para o Complexo Pequeno Príncipe. Em seu currículo, constam importantes premiações como o Grande Prêmio Ayrton Senna de Jornalismo.

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