Yuri Al'Hanati

Ter um bar em casa é uma saída

Já devo ter comentado aqui, nesse espaço, o meu entusiasmo por garrafas de bebidas. Algo que começou antes mesmo que eu tivesse o hábito de beber. O design dos licores e destilados que via nos supermercados e nas grandes distribuidoras sempre me fascinaram. Depois, o gosto pela mixologia e a vontade de aprender as receitas clássicas me levaram a querer montar o meu próprio bar em casa. Um daqueles alarmes psicanalíticos que apitam, acendem o giroflex e se fazem ouvir por um megafone: atenção, você está se tornando seu pai. Bom, o meu pai não, porque meu pai nunca foi disso, mas certamente estou virando o pai dos outros, que mantém garrafas de bebidas variadas pela metade em casa, quem sabe num móvel encostado numa parede ou mesmo num móvel tipo bar, tão populares nas casas de antigamente, e que agora desparecem na mesma medida em que desaparece o gosto pela coquetelaria, eclipsada pela mania irritante do destilado com energético e, vá lá, do gin tônica dos lugares mais descolados.

Já devo ter comentado aqui, nesse espaço, o meu entusiasmo por garrafas de bebidas. Algo que começou antes mesmo que eu tivesse o hábito de beber. O design dos licores e destilados que via nos supermercados e nas grandes distribuidoras sempre me fascinaram.

A coquetelaria clássica se difere da moderna pela ausência quase total de componentes não alcoólicos. Pegue os drinks clássicos e verá que se tratam, todos eles, de álcool sobre álcool: negroni (gin, campari e vermute rosso), old fashioned (bourbon, angostura e xarope de açúcar), manhattan (bourbon, angostura e vermute) e martini (gin e vermute bianco). Isso, é claro, não estimula nenhuma cultura de sair pra beber com os amigos, por duas razões: é tudo muito amargo, e ninguém mais gosta de drink amargo, e é tudo muito alcóolico, de modo que um bebedor ocasional tomará dois, no máximo três desses drinks e descobrirá, na volta para casa, que sua cama tem propriedades giratórias. Os novos drinks, por sua vez, são docinhos, feitos principalmente com vodca – o destilado sem sabor marcante, quando de qualidade – e permitem que a loucura da embriaguez chegue sorrateiramente. Sex on the beach (vodca, suco de laranja, licor de pêssego e grenadine), cosmopolitan (vodca, suco de cranberry, suco de limão e licor de laranja), white russian (vodca, licor de café, leite e creme de leite) e mojito (rum, club soda, açúcar, limão e hortelã) podem ser consumidos em quantidades maiores e permitem que os donos de bar mesquinhos sejam pouco generosos com a quantidade de destilado em suas receitas. Com a vodca com energético, então, bartenders instruídos sequer são requisitados. O crepúsculo da mixologia.

O que resta é ter um bar em casa. Quer ter um também? Anote aí o básico então. Destilados: vodca, gin, tequila, rum claro, rum escuro, rum de coco, uísque e bourbon. Licores: schnapps de pêssego, Jägermeister (pode ser considerado um bitter ou um destilado também), Kahlúa, Midori, Cointreau, vermute bianco e rosso. Bitters: Campari, angostura. Não alcóolicos: sucos de laranja, limão, cranberry, abacaxi, club soda, tônica e Coca-cola. Garnishes e outros: açúcar, sal, cereja, azeitona, laranja e limão. Gelo, é claro, e copos variados: shot glass, Martini, old fashioned, collins, highball. Com isso dá pra fazer uma bela festa. Nem que seja só você e uns dois amigos que ainda se interessam por esse tipo de coisa.

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Yuri Al'Hanati

Yuri Al'Hanati nasceu em Praia Brava, distrito de Angra dos Reis (RJ), em 1986, e reside em Curitiba desde 2004. Formado em jornalismo pela Universidade Federal do Paraná. Além de jornalista, atua como cartunista na Gazeta do Povo e publica textos e vídeos no site literário Livrada!, que mantém de forma independente desde 2010.

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