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Melhores Livros 2016
O que de melhor lemos em 2016. Foto: Montagem / Pixabay.

Sempre que esta época do ano chega os jornais e portais do Brasil e do mundo iniciam uma série de publicações sobre o ano literário. Enquanto alguns veículos lançam listas numéricas, que podem ir de 50 a 100 melhores livros do ano, nós de A Escotilha optamos por refletir sobre a leitura que fizemos ao longo de 2016.

Um ano raramente é recheado com leituras apenas de lançamentos, e somamos a isso o risco de fazer uma lista, que pode resultar em injustiça ou, o que é pior, em juízo de valor raso. Tendo como parâmetro nosso compromisso editorial, convidamos jornalistas, escritores e críticos literários a compartilharem juntamente com nossa equipe quais foram os 10 melhores livros que leram ao longo deste 2016.

A disponibilização das listas seguiu a ordem alfabética dos nomes das pessoas que participaram da elaboração deste texto. A ordem das obras foi mantida conforme o que nos foi enviado.

Alejandro Mercado (editor de A Escotilha)

Valter Hugo Mãe possui uma das literaturas em língua portuguesa mais incríveis da atualidade. Não à toa, ganhou elogios do eterno José Saramago. Em A Desumanização, Hugo Mãe deixa claro o que é o “tsunami estilístico” a que se referia Saramago.

  • O Tribunal da Quinta-feira (Michel Laub – Companhia das Letras)

A internet e as redes sociais tornaram-se uma nova espécie de Inquisição. Laub trata o tema a partir de nossas monstruosidades com perfeição literária.

  • Fabián e o Caos (Pedro Juan Gutiérrez – Trad. Paulina Wacht e Ari Roitman, Alfaguara)

Pedro Juan Gutiérrez retoma sua grande literatura ao nos levar ao passado e narrar uma história sobre liberdade e homofobia na Cuba pós-Revolução.

O Homem Sem Doença, segunda obra de Grunberg lançada pela Rádio Londres, é uma literatura impiedosa e perturbadora como só a grande literatura dá conta de ser.

David Grossman combina humor e horror em uma obra sombria, complexa e ousada. Um mergulho nas idiossincrasias israelenses (e também judaicas). Fenomenal.

Ribeyro é um dos maiores contistas da literatura latina, mas infelizmente acabou ofuscado por Mario Vargas Llosa. Sua segunda obra publicada no país apresenta recortes de sua visão de mundo. Imperdível.

  • Uma Vida Pequena (Hanya Yanagihara – Trad. Roberto Muggiati, Record)

Poucas vezes senti que uma obra ecoou tanto quanto o livro de Yanagihara. Difícil, dura e necessária.

  • O Papel de Parede Amarelo (Charlotte Perkins Gilman – Trad. Diogo Henriques, José Olympio)

Escrito há 124 anos, a obra de Gilman segue atual, pungente e fundamental. Depressão, opressão e machismo permeiam as linhas do livro, que mostram o quanto a escritora estava à frente do seu tempo.

Leonardo Padura constrói um romance histórico extasiante, incômodo e revelador.

  • Desonra (J.M. Coetzee – Trad. José Rubens Siqueira, Companhia das Letras)

Desonra é daquelas obras que tiram o leitor de sua zona de conforto ao nos confrontar com situações extremas e dolorosas. Podemos dizer que uma obra como essa evidencia que o Nobel para Coetzee foi merecido.

Daniel Zanella (editor do jornal de literatura RelevO)

  • Experiências Extraordinárias (Rodrigo Garcia Lopes – Kan Editora)

O político e o poético se cruzam aqui num quase devir. É 1984 com o derradeirismo de Baudelaire.

  • L’azur Blasé (Guilherme Gontijo Flores – Kotter Editorial + Ateliê Editorial)

O ápice da técnica e da sensibilidade na poesia contemporânea.

  • Corpo de Festim (Alexandre Guarnieri – Confraria do Vento)

O livro de poesia mais inventivo dos últimos anos, de uma mecânica muito própria.

  • A letra brasileira de Paulo César Pinheiro (Conceição Campos – Engenho Produções e Edições)

Levantamento profundo sobre a trajetória intelectual e artística do maior compositor brasileiro vivo.

  • Dicionário da história social do samba (Nei Lopes e Luiz Antonio Simas – Civilização Brasileira)

Obra fundamental, com verbetes pouco convencionais. Amplitude e critério.

  • A Árvore Todas (Luci Collin – Iluminuras)

A principal escritora paranaense segue na melhor fase de sua carreira, com livros inventivos, poéticos, intensos.

  • O Barulho do Mormaço (Priscila Lira – Edições Ellenismos)

O percurso norte-sul da amazonense Priscila Lira se revela aqui ainda me melhor forma e com ambições narrativas imodestas.

  • Lições de Geometria Fantástica (José Eduardo Degrazia – Penalux)

Retrato de quase 50 anos da carreira de Degrazia, uma coleção única de aforismos e definições sobre viver e morrer.

  • Londrinenses (Maurício Arruda Mendonça – Electra & Kan)

Misto de crônica e ficção fantástica com personagens marcantes da história da cidade de Londrina. Uma dessas leituras de pegar e não largar.

  • Pontal do Pilar (Paulo César Pinheiro – Casa da Palavra)

Lançado há um bom par de anos, mas só lido esse ano. É samba de Guimarães Rosa num encontro violento com Graciliano Ramos.

Eder Alex (colunista de A Escotilha)

Não só o melhor livro que li esse ano, como também um dos melhores que já li na vida.

Uma das maiores tragédias da humanidade, através das vozes daqueles que estiveram lá. Tipo de obra que nos tira o chão.

  • Pssica (Edyr Augusto Proença – Boitempo Editorial)

Mais do que um livro, Pssica é um tijolo que voa com violência na cara do leitor. Esse é pra quem tem estômago.

  • Dias de Abandono (Elena Ferrante – Trad. Francesca Cricelli, Biblioteca Azul)

Elena Ferrante mostrando que é muito mais do que uma modinha literária.

O jovem Karl Ove inicia sua vida sexual ao som de muito rock n’ roll e com muito álcool na cabeça, não tinha como dar errado.

Michel Laub compôs o melhor retrato da nossa relação com a tecnologia ao escrever sobre linchamentos virtuais.

  • Confissões do Crematório – Lições Para Toda a Vida (Caitlin Doughty – Trad. Regiane Winarski, Darkside)

Um livro inteligente e bem-humorado, que consegue desmistificar a morte e os rituais que a cercam.

  • Atlas de Nuvens (David Mitchell – Trad. Paulo Henrique Britto, Companhia das Letras)

Uma obra pretensiosa com seus altos e baixos, mas que vale muito a pena pela ousadia do autor e pelo desafio da leitura.

O universo de André de Leones é uma ilha cercada de solidão por todos os lados.

É Monty Python por escrito.

Jonatan Silva (colunista de A Escotilha)

  • Linha M. (Patti Smith – Trad. Claudio Carina, Companhia das letras)

O livro é um lindo apanhado das memórias da autora, uma espécie de réquiem seu marido, Fred Sonic Smith, morto em 1994. Assim como o belíssimo Só Garotos, Linha M. é uma obra sobre a essência humana, um mergulho na natureza de cada um. Patti Smith, que já feito o mesmo com o disco Horses, em 1975, consegue mostrar a beleza que existe no caos.

  • O Homem sem Doença (Arnon Grunberg – Trad. Mariângela Guimarães, Rádio Londres)

Grunberg é um escritor surpreendente: chocante e extremamente consciente do poder de sua estética. O Homem sem Doença é uma boa fábula sobre o equívoco em tempos de extremismos e, ao mesmo tempo, faz das falhas de comunicação uma peça incrível de humor negro.

A dobradinha dos primeiros romances do escritor japonês é presente para o leitor e também espanto. Talvez sejam, ao lado de Norwegian Wood, seus livros mais realistas. As duas obras já lidam com temas que irão se fazer presentes nos livros subsequentes, mas ainda assim é interessante ver como um autor evolui e amadurece – como pessoa e como artista.

  • Enclausurado (Ian McEwan – Trad. Jorio Dauster, Companhia das Letras)

Sempre digo que McEwan é consciente do poder que tem sobre o leitor e em Enclausurado isso fica muito claro. A história de um feto – isso mesmo – que é testemunha dos planos de sua mãe e seu tio, amante dela, para matar o seu próprio pai pode parecer à primeira vista intragável e impossível. Não nas mãos do escritor inglês, que cria um cenário perfeito para o crime.

  • Os Fatos (Philip Roth – Trad. Jorio Dauster, Companhia das Letras)

Ainda que tenha saído no Brasil com quase 30 anos de atraso, a autobiografia de Roth é uma peça importante no quebra-cabeça de sua obra. Existem revelações literárias e pessoais ali, é verdade, mas há também um quê de desabafo – de um homem que pede a opinião de seu alter ego a respeito de sua trajetória. De certa maneira, Os Fatos é um livro que faz par com Roth libertado, ensaio biográfico lançado no ano passado.

Elena Ferrante é um fenômeno absoluto: seja pela polêmica de sua identidade ou pela qualidade de sua literatura. A escritora italiana faz o que há de mais fino na produção contemporânea e cria um misto de autoficção e desabafo. A Filha Perdida é uma novela charmosa e que dialoga com a famosa tetralogia napolitana.

O escritor português é, sem dúvida alguma, o maior de sua terra pós-Saramago. Animalescos faz um jogo com o nosso instinto selvagem. São pequenos contos da voz interior – a 4ª pessoa do singular que cita como epígrafe e que atribui a Derrida, mas pertence mesmo a Ferlinghetti – que narram o bizarro, o kafkiano que existe dentro de nós. Toda a brutalidade é proposital e proporcional à nossa ignorância e noção de mundo e de humano.

  • Ana de Amsterdam (Ana Cássia Rebelo – Biblioteca Azul)

Ana Cássia cria um mundo dentro de um espelho quebrado. Assim como Elena Ferrante, a autora portuguesa extrapola as convenções e faz uma importante revelação ao mundo a respeito do universo feminino. Esse é um livro forte, pungente e repleto de dor. Os personagens, todos reais, estão perdidos em labirintos borgeanos à caça de si mesmos.

Pode parecer difícil acreditar que uma caçada de búfalos crie um livro tão desafiador quanto Butcher’s Crossing. Lançada no Brasil apenas neste ano, a obra é uma jornada dentro da solidão e do isolamento. Williams narra como poucos o poder da juventude e das descobertas – mesmo aquelas que custam vidas.

Primeiro volume da trilogia d’A Complicada beleza, Narciso para matar é uma aventura bukowskiana em Curitiba e adjacências. É preciso coragem para ver a cidade revelada com tanta tensão e brutalidade. E é preciso mais coragem ainda para se afastar dos gêneros literários e criar um romance único.

Juliana Gomes (coordenadora do Leia Mulheres e responsável pelo site Além do PDF)

  • História de Quem Vai e de Quem Fica (Elena Ferrante – Trad. Maurício Santana Dias, Biblioteca Azul)

O terceiro volume da tetralogia napolitana de Elena Ferrante é o tipo do romance que pode ser lido por qualquer um, mas com um olhar mais atento você poderá ver tantas camadas que se torna o tipo do livro que necessita ser relido, sempre.

  • Liturgia do Fim (Marília Arnaud – Tordesilhas)

Comparado pela autora Maria Valéria Rezende a Lavoura Arcaica, Liturgia do Fim se assemelha pelo enredo, mas traz à tona a sociedade patriarcal em que vivemos e a violência contra mulheres e crianças que acontece todo dia.

  • Uma Vida Pequena (Hanya Yanagihara – Trad. Roberto Muggiati, Record)

Talvez o melhor livro que li nesse ano. Muitos podem discordar pela pegada violenta na escrita, mas talvez esse tenha sido o modo de trazer a realidade da maneira mais nua e crua possível. Quatro amigos, quatro realidades e quatro destinos muitos diferentes.

  • Dias Nublados (Luiz Felipe Leprevost – Arte & Letra)

Um narrador andarilho que sai por Curitiba e sua memória afetiva em busca de si mesmo. A cidade protagonista como quem nos acalenta e também nos deixa.

O primeiro romance da cultuada contista Lydia Davis consegue ser o que os contos dela são – impactante para dizer o mínimo. Com toques autobiográficos, Lydia te coloca frente a frente com medos e apreensões. Uma busca de redenção para si mesmo pelo olhar do outro.

Blog homônimo reproduzido no livro, uma mulher que se despe de qualquer falsidade ou pudor para se mostrar ao leitor com todas as suas fragilidades e cobranças que o mundo fala pela mulher perfeita. Ana nos mostra quem ela é e talvez seja um pouco de nós também.

  • História da sua Vida e Outros Contos (Ted Chiang – Trad. Edmundo Barreiros, Intrínseca)

Não sou a maior fã de sci-fi, mas esse livro de contos é uma preciosidade, uma ficção científica humana ou uma humana ficção científica que mescla Ursula Le Guinn e K. Dick.

  • A Teta Racional (Giovana Madalosso – Gruá)

É impactante, exagerado, um tanto cortante? Sim, e tudo parece milimetrado e a cada conto retrata uma mulher e suas angústias e problemas que a contemporaneidade nos traz.

  • How to surpress woman writing (Joanna Russ – não publicado no Brasil)

Representatividade da mulher escritora, como o mercado a vê, como os leitores podem pensar e perceber essa autora. Interessante para debatermos ainda mais sobre essas questões.

  • Placas tectônicas (Margaux Motin – Trad. Fernando Scheibe, Nemo)

Uma mulher e suas agruras com a filha, trabalho, namorados e amigas. De maneira bem-humorada nos mostra a vida de uma mulher que poderia ser eu ou você.

Luis Henrique Pellanda (escritor e cronista da Gazeta do Povo)

  • Vozes de Tchernóbil (Svetlana Aleksievitch – Trad. Sonia Branco, Companhia das Letras)

Livro narrado pelo povo soviético, perdido entre o velho Estado e uma nova e insuspeitada natureza. A história do acidente nuclear de Tchernóbil contada por quem morreu e continua morrendo.

  • O Ofício Alheio (Primo Levi – Trad. Silvia Massimini Felix, Ed. Unesp)

Levi, sempre genial, mas fora de seu tema mais frequente, Auschwitz. Em ensaios curtos, divertidos e estranhamente profundos, ele fala sobre pulgas, livros, aranhas, borboletas, química, esquilos e besouros.

  • Tempo de Voltar (Mariana Ianelli – Ardotempo)

Uma das vozes mais importantes da nossa literatura nos últimos anos. A poesia de Mariana não é só bonita, política, amorosa e violenta (e tudo isso ao mesmo tempo). Ela também tem aquela força indefinível dos autores místicos, de poderes divinatórios.

  • Um Amor Feliz (Wislawa Szymborska – Trad. Regina Przybycien, Companhia das Letras)

Poeta dos pequenos acontecimentos, da lenta ruminação de detalhes e dúvidas, Szymborska consegue produzir, com informalidade apenas aparente, os versos mais abertos e iluminados do nosso tempo.

  • Botchan (Natsume Soseki – Trad. Jefferson José Teixeira, Estação Liberdade)

Mais um clássico do autor do excelente Eu Sou um Gato. Entra na lista como representante da ótima série de títulos japoneses que a Estação Liberdade vem lançando. Entre eles, só este ano, obras de Jun’ichiro Tanizaki, Yoko Ogawa e Nagai Kafu.

  • Inferno Provisório (Luiz Ruffato – Companhia das Letras)

Luiz Ruffato reestruturou sua grande pentalogia sobre o proletariado brasileiro, reunindo os cinco romances que já havia lançado num só volume. Trata-se de um exercício de “realismo capitalista”, como já definiu o autor.

Um trabalho muito interessante sobre os novos caminhos que a tevê vem experimentando, no mundo e no Brasil. Assunto que, curiosamente, vários brasileiros consideram “menor”, mostrando desconhecerem o país em que vivem.

  • Homo deus (Yuval Noah Harari – Trad. Paulo Geiger, Companhia das Letras)

Depois de “vencer” seus maiores inimigos históricos — a guerra, a fome e a peste —, a humanidade do século 21, impulsionada pelo capitalismo, se lança numa jornada delirante: a busca pela juventude sem fim, pela imortalidade, pela felicidade ininterrupta. Uma análise do que pode nos reservar o futuro: a “promoção” do sapiens a uma nova categoria humana.

Num ano bom para a literatura produzida em Curitiba, com diversos lançamentos que mereceram atenção e leitura, Luci publica um grande livro de poesia. Trabalho que Sérgio Alcides tão bem definiu como capaz de produzir uma iluminação “bela e, às vezes, até euforizante!”.

  • Maomé, Uma Biografia do Profeta (Karen Armstrong – Trad. Andréia Guerini, Fabiano Seixas Fernandes e Walter Carlos Costa, Companhia das Letras)

Da “Era da Ignorância” ao 11 de setembro, passando pela fatwa contra Salman Rushdie, a história é longa. Armstrong nos fala da vida e da época do criador do islamismo, primeiro unificador dos povos árabes, e da incompreensão ocidental em relação à sua real importância política, cultural e religiosa. O livro já foi lançado há alguns anos, mas sua leitura é cada vez mais imprescindível.

Walter Bach (editor do Homo Literatus)

  • O Livro do Jazz (Berendt e Huesmann – Trad. Rainer Patriota e Daniel Oliveira Pucciarelli, Edições Sesc)

Pode ser chamado de enciclopédia do Jazz. Conta o nascimento do gênero passando por várias épocas, e dá uma ideia de por quantas mudanças passou, das histórias centradas em locais e períodos específicos à recepção e vida dos músicos – alguns deles, hoje chamados gênios, revolucionários e palavras afins, sequer tinham pretensões artísticas tão grandes, apenas queriam encontrar a própria música.

  • Crime e Castigo (Fiodor Dostoiévski – Trad. Paulo Bezerra, Editora 34)

Personagens desgraçados – em especial Rodion Raskólnikov -, história tensa, dúzias de ambiguidades e até contradições, e uma sensação permanente de que personagem algum merece confiança por aqui, lado a lado com os questionamentos levantados indiretamente por eles.

Por sua poesia.

  • O Livro das Coisas Verdadeiras (Pedro Gonzaga – Arquipélago Editorial)

O livro reescrito do Gonzaga é mais uma demonstração de quão longe a crônica pode ir.

As investigações do Pellanda elevando o nível do que conhecemos por crônica.

  • Fala, Amendoeira (Carlos Drummond de Andrade, Companhia das Letras)

Por sua elegância.

  • 200 Crônicas Escolhidas (Rubem Braga – Record)

Os sabiás de Braga, um dos maiores cronistas deste país.

  • Éramos Mais Unidos aos Domingos (Sérgio Porto – Boa Companhia)

Pela relação de Sérgio Porto com a cidade.

  • Abarat (Clive Barker – Trad. Ricardo Gouveia, Companhia das Letras)

Barker criou um mundo com seus próprios costumes, ilustrado com suas palavras e seus desenhos. É um lado criativo tão rico (se não até mais) quanto sua face inclinada ao horror.

Mencken parece ter sido desses caras que estudam bem mais do que a média e destratam os demais, mas a despeito de sua posição amarga sua leitura é válida por forçar o raciocínio além do limite para qualquer assunto.

Yuri Al’Hanati (cronista de A Escotilha e responsável pelo blog Livrada!)

  • Como se estivéssemos em palimpsesto de putas (Elvira Vigna – Companhia das Letras)

Um romance atual, moderno e que diz verdades com uma prosa sofisticada.

  • Sentimental (Eucanaã Ferraz – Companhia das Letras)

O livro que afirma Eucanaã Ferraz como o maior poeta brasileiro vivo.

Estranho, sufocante e muito atual, um romance que trata de relações ególatras e suas consequências para o espírito das partes envolvidas.

  • Luxúria (Fernando Bonassi – Record)

A derrocada do sonho de progresso brasileiro em um romance desesperançado e cruelmente verdadeiro.

John Williams sendo descoberto pelo mercado editorial brasileiro é animador e mostra a vasta produção de qualidade esquecida em detrimento de modismos circunstanciais.

  • As Aventuras do bom soldado Svejk (Jaroslav Hasek – Trad. Luis Carlos Cabral, Alfaguara)

Um romance grande e bem-humorado sobre a primeira guerra mundial. Um clássico da literatura eslava.

  • História do Novo Sobrenome (Elena Ferrante – Trad. Maurício Santana Dias, Biblioteca Azul)

A segunda parte da tetralogia Napolitana de Ferrante é viciante e uma profunda investigação sobre a influência do meio e das pessoas em nossas escolhas de vida.

  • Anatomia do Paraíso (Beatriz Bracher – Editora 34)

Denso e exegético, o romance de Bracher é iluminador sobre questões íntimas e sobre aspectos da obra de John Milton.

  • Foe (J.M. Coetzee – Trad. José Rubens Siqueira, Companhia das Letras)

Um romance discreto que dialoga intensamente com as ideias rousseaunianas de Daniel DeFoe.

  • Poemas (Adonis – Trad. Michel Sleiman, Companhia das Letras)

A poesia da natureza em Adonis é a coisa mais verdadeira que li esse ano.

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