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8 mulheres para celebrar o 8 de março

Por mais que o 8 de março já tenha passado, nunca é tarde para celebrar o talento feminino na música.

Por mais que o 8 de março já tenha passado, falar sobre a presença da mulher no mundo da música é uma questão que deveria fazer parte não apenas desse dia, mas de todos os outros 364.

Como em todos os ramos da produção artística – e, quiçá, da vida como um todo – para as mulheres é muito mais difícil chegar ao estrelado do que para seus companheiros homens. À época do lançamento de seu penúltimo álbum, a veterana Björk, que havia composto as músicas, escritos as letras e trabalhado na produção de sua própria obra, deu verdadeiros chiliques por causa da maneira como a mídia ainda vê as mulheres.

É difícil que as mulheres sejam vistas no mesmo patamar dos homens, não importa o quando elas estejam se destacando em seus trabalhos. Ainda precisamos fazer um esforço ativo para consumir qualquer coisa que seja produzida por mulheres, não apenas em razão da dificuldade que as artistas experimentam em divulgar suas obras, mas também devido ao estigma que carrega (quase) tudo que é feito por uma mulher.

Vistas como mais sentimentais ou qualquer coisa que o valha, é comum que aquilo que é produzido por uma mulher seja visto como destinado unicamente ao público feminino e, eventualmente, associado a uma espécie de nicho de mercado. Acontece na música, acontece na literatura e poderíamos ficar listando os campos onde isso acontece aqui até amanhã.

Por mais que o 8 de março já tenha passado, falar sobre a presença da mulher no mundo da música é uma questão que deveria fazer parte não apenas desse dia, mas de todos os outros 364.

Assim, se é um desafio ouvir (mais) mulheres, vamos listar abaixo oito delas, que merecem ser ouvidas seja 8 de março ou qualquer outro dia:

Anelis Assumpção: a cantora atualmente está divulgando seu novo álbum, Taurina, e os shows da turnê vem sendo muito elogiados. A mistura de estilos que é som da cantora, somada à sua voz suave e melodiosa, faz com que o disco seja uma experiência interessante e um tanto quanto particular em relação às outras artistas que se destacam no mesmo cenário.

Mechi Pieretti: a cantora, de nacionalidade argentina, acaba de lançar suas primeiras faixas. Misturando pop e música eletrônica, Mechi soa como uma voz a ser acompanhada, principalmente devido ao fato de o álbum completo ainda não ter sido lançado.

Natalia Lafourcade: Natalia é já uma veterana, tem inúmeros álbuns lançados, uma carreira sólida e representou maravilhosamente bem a América Latina na noite de premiação do Oscar. Seu último álbum, lançado no mês passado, em parceria com Los Macorinos, é uma homenagem às musas da América Latina.

Cat Power: Por mais que a cantora americana não tenha lançado nada recentemente, sua obra sólida, misturando influências do folk, fala por si só. Para além disso, vale a pena acompanhar a cantora nas redes sociais devido ao seu discurso politizado e interessante, que só acrescenta a sua figura talentosa e simpática.

Illy: A baiana tem alguns singles lançados e já foi apontada como uma das promessas da Mpb. A faixa “Fama de fácil”, lançada recentemente, mistura elementos tradicionais da música popular às sonoridades oriundas da cultura nordestina. Definitivamente, mais uma cantora a ser acompanhada.

Xênia França: Com um álbum lançado ano passado, a cantora é, sem sombra de dúvida, uma das mais interessantes que despontou no cenário nacional. Misturando questões feministas, rap, racismo e cultura afro, Xênia foi certamente um dos melhores momentos da música nacional de 2017.

Björk: A islandesa que apareceu aqui anteriormente como referência de comportamento é, sem sombra de dúvida, uma das maiores artistas de sua geração. Com shows que são verdadeiras experiências sinestéticas, Björk canta, produz, escreve e lançou, ano passado, o elogiado Utopia.

Alabama Shakes: Apesar de ser uma banda, e não uma cantora solo, o Alabama merece figurar nessa lista por causa de uma mulher. Brittany Howard, a cantora e guitarrista (e também líder do grupo), é uma verdadeira força da natureza. Com dois discos lançados, mesclando blues e rock, o Alabama Shakes passou pelo Brasil em 2016, deixando um rastro de fãs apaixonados. Resta aguardar pelo próximo lançamento do grupo.

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Raphaella Lira

Raphaella Lira nasceu em Niterói (1984). Formada em Letras pela UFRJ, onde também cursou o mestrado e o doutorado em Literatura Comparada. Professora de português e literatura, viciada em música, leitora compulsiva e sommelier de filmes ruins, nunca teve disciplina para manter um blog, mas nunca deixou de escrever.

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