As pérolas perdidas do grunge: Parte 2

As pérolas perdidas do grunge: Parte 2

Trocando em Miúdos: Ofuscados por Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains, outros grupos da chamada cena grunge de Seattle poderiam ter feito mais sucesso. Segunda parte da série que fala sobre as bandas que não atingiram o mainstream.

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Durante a década de 1980, enquanto o pós-punk começa a tomar conta do mainstream da música, vários grupos começavam a tomar as garagens das cidades do estado de Washington, nos Estados Unidos. Uma delas, a Malfunkshun, foi a primeira aventura de Andrew Wood antes de marcar seu nome com a Mother Love Bone.

Formada originalmente como um quarteto – juntamente com seu irmão Kevin, Dave Hunt e Dave Rees -, o grupo logo tornou-se um trio, em virtude da saída de Hunt e Rees. A Malfunkshun ficou conhecida pelo som potente e pelo travestismo, muito influenciado pelo glam dos anos 1970. Maquiagem, penugens e muito glitter eram comuns nos músicos, que assumiam alter egos quando subiam nos palcos.

O grupo caminhou relativamente bem durante a primeira metade da década de 1980. Dali em diante, Andrew Wood passou a ter muitos problemas com drogas e álcool, passando a frequentar a rehab com certa constância. Por conta disso, a Malfunkshun acabou se dissolvendo em 1986, sem que, no entanto, tenha terminado oficialmente. Na década de 1990, Kevin Wood decidiu retornar com o grupo, gravando um disco. Com Andrew, a Malfunkshun gravou apenas duas faixas que fizeram parte de coletâneas da Sup Pop.

Outro grupo que fez parte destas mesmas coletâneas e também não chegou a atingir o estrelato foi a Skin Yard. Formada em 1985, foi a primeira banda de Matt Cameron, antes dele assumir a bateria do Soundgarden (e hoje do Pearl Jam).

Da Skin Yard também era Jack Endino, que além de músico foi produtor musical, chegando a trabalhar com o Nirvana no primeiro álbum do grupo, Bleach – que só fez sucesso após o icônico Nevermind. Endino sempre foi envolvido com a cena musical, por isso era muito conhecido entre os músicos. Muitos historiadores da cena grunge atribuem a ele a estética musical inicial do gênero, com guitarras trazendo influências do metal e do punk dos anos 1970.

Também a parte feminina do grunge vai além do Hole. O L7, apesar de não ser de Seattle – eram de Los Angeles – e de boa parte de suas influências estar ligada às riot grrrls dos anos 1990, o grupo recebeu o selo “banda grunge” ao assinar com a Sub Pop.

Muitos historiadores da cena grunge atribuem a Endino a estética musical inicial do gênero, com guitarras trazendo influências do metal e do punk dos anos 1970.

Formado em 1985, o grupo de Suzi Gardner, antiga backing vocal do Black Flag, rodou os festivais norte-americanos (e até alguns pela Europa) abrindo os shows do Pearl Jam, Nirvana e Red Hot Chili Peppers (que apesar de não ser uma banda grunge, tinha uma relação muito estreita com todos os integrantes do gênero – Jack Irons, baterista da formação original, trocou o RHCP pelo Pearl Jam entre 1994 e 98). Apesar de nunca terem feito um sucesso estrondoso, emplacaram alguns hits, como “Pretend We’re Dead”.

A Babes in Toyland possui uma história semelhante em vários aspectos com a L7. Formada em Minneapolis, Minnesota, em 1987, o grupo lançou três discos de estúdio, entre eles o bem sucedido Fontanelle, de 1992.

Ventilou-se durante anos que a Babes in Toyland teria sido a primeira banda de Courtney Love, recrutada no final de 1987 para tocar baixo. Com as constantes negativas da líder do Hole, Kat Bjelland, líder da Babes, deu uma declaração no mínimo curiosa. “Chamamos a Courtney para um ensaio, para ver como ela se saía. Ela foi tão ruim que só o que aconteceu foi um ‘tchau Courtney’ depois disso”.

Polêmicas à parte, a banda chamou a atenção do Sonic Youth com o disco de estreia, Spanking Machine, de 1990. Por conta disso, se juntaram ao grupo para uma turnê pela Europa. Mas foi com Fontanelle (1992) que o grupo atingiu relativo sucesso, vendendo mais de 200 mil cópias só nos Estados Unidos. Números relativamente baixos em relação aos obtidos pelo Hole, mas expressivos para um grupo que não chegou a brilhar tanto quanto podia.

Nos vemos no próximo (e último) capítulo dos grupos do grunge que poderiam (e deveriam) ter recebido mais atenção.

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