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Pior Cenário Possível, novo disco do Matanza, não traz nada de novo

Trocando Em Miúdos: Matanza lança novo disco, Pior Cenário Possível, que não traz nada de novo. Banda torna a não empolgar no estúdio, deixando a esperança que sua execução ao vivo seja melhor e mais agitada.


O Matanza sempre foi um grande grupo de hardcore nacional, talvez muito mais pela postura punk ao extremo de seu líder e vocalista Jimmy do que pelos músicos do grupo, que nunca foram ruins e sem química – mesmo com as várias mudanças na formação ao longo dos anos -, mas também não ofereceram mais que o feijão com arroz que se espera na “cozinha” de uma banda.

Pior Cenário Possível, sétimo disco de estúdio da banda carioca, não é um disco ruim. A turma da capital fluminense continua fazendo músicas de “pé na porta e soco na cara” – como diz uma de suas faixas mais famosas. O peso das guitarras, a boa combinação do baixo/bateria, as letras do mais puro hardcore e a voz rouca de Jimmy estão ali. Mas o que então torna o CD apenas e nada mais que razoável?

O CD foi produzido por Rafael Ramos, mesmo produtor do elogiado Nheengatu dos Titãs. É o primeiro da banda a contar com o guitarrista Maurício Nogueira em estúdio, além de marcar a saída do baixista China, que deixou o grupo para seguir carreira como guitarrista.

Quem acompanha – como eu faço – a carreira do grupo, sabe que toda a energia que conseguem imprimir no palco tornava as músicas, por vezes, melhores do que realmente eram. Em um cenário e momento comercial fracos para o rock e seus sub-gêneros, o Matanza era um alívio aos tímpanos, mesmo com um número grande de decibéis. Piadas à parte, desde “Ela roubou meu caminhão” em Santa Madre Cassino (2001), eles cravaram um espaço que ninguém é capaz de tirar. Mesmo quem torce o nariz para o hardcore há de convir que com Música Para Beber e Brigar (2003), To Hell With Johnny Cash (2005) e A Arte do Insulto (2006), respectivamente segundo, terceiro e quarto álbuns, a banda fez história.

Quase todas as faixas tornaram-se hinos, não apenas da parcela jovem na faixa dos 18 anos, mas também com um apanhado de pessoas mais velhas, que enxergavam no grupo a atitude que nenhuma outra banda do rock nacional conseguia oferecer – lembremos que no mesmo período surgiram bandas como Restart, NX Zero e Fresno. Todo esse auê em cima do Matanza garantiu a eles um MTV Ao Vivo em 2008.

“Não dá pra negar que fica a frustração por não ver Jimmy e companhia apresentando um novo coice marcante. Entretanto, ao menos o grupo continua na ativa e a certeza é que ao vivo eles nunca decepcionam.”

Porém, de lá pra cá, a banda parece ter patinado ao tentar oferecer algo novo ao público. Pior Cenário Possível apresenta ao longo de suas dez faixas músicas que caberiam normalmente em qualquer um dos discos anteriores, entretanto, sem nenhum detalhe que faça com que sobressaiam. Logo, o disco torna-se maçante, em especial pela falta de uma música que consiga representar um ápice lírico ou musical.

“O Que Está Feito, Está Feito”, segunda faixa do disco, é a melhor e que, provavelmente, será mais lembrada de Pior Cenário Possível. Ela conta com um clipe (que você pode ver abaixo) feito em estúdio, durante as gravações do álbum. “Orgulho e Cinismo” e “Chance Pro Azar” foram singles distribuidos antes do lançamento oficial. A primeira na Rolling Stone Brasil e a segunda na Rádio Cidade do Rio de Janeiro.

Não dá pra negar que fica a frustração por não ver Jimmy e companhia apresentando um novo coice marcante. Entretanto, ao menos o grupo continua na ativa e a certeza é que ao vivo eles nunca decepcionam.

Ouça Pior Cenário Possível na íntegra

Matanza em Curitiba

O grupo se apresenta em Curitiba no próximo dia 15, no Curitiba Master Hall, quando também se apresentarão os curitibanos do Motorocker e a lendária Velhas Virgens. A produção do show é da Multi Eventos Promoções. Os ingressos podem ser adquiridos online na Disk Ingressos ou nos pontos de vendas. Para mais informações, clique aqui.

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Alejandro Mercado

Alejandro Mercado é jornalista e publicitário, com pós-graduações em Comunicação e Sociedade e Multimeios. Foi coordenador adjunto da Coordenadoria Setorial de Comunicação da Secretaria de Cultura de Campinas entre 2005 e 2007, período no qual coproduziu o Unifest Rock, maior festival universitário de música da América Latina. Foi um dos idealizadores e coprodutor do Mopemuca, projeto voltado ao fomento da produção musical autoral no interior de São Paulo.

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1 thought on “Pior Cenário Possível, novo disco do Matanza, não traz nada de novo”

  1. Não concordo! Acho que o álbum apresentou um novo tom sim, mas sem discrepância, afinal o som deles sempre foi ótimo, e pra que mudar quando já se tem um ótimo trabalho? Até porque a maioria das vezes em que uma banda apresenta uma nova proposta é extremamente criticada por pelos fãs antigos e algumas vezes pelo publico em geral, logo, se é pra fazer uma critica dessas, sem propriedade, nem faz.

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