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Mesmo imperfeito, ‘Oczy Mlody’ é The Flaming Lips puro

Experimental e excêntrico, ‘Oczy Mlody’, 15º disco do The Flaming Lips, leva a assinatura do grupo e é interessante, ainda que seja um álbum imperfeito.

Com 15 álbuns lançados em mais de trinta anos de carreira, é fato que o The Flaming Lips não possui mais nada a ser provado. Seu mais recente disco, Oczy Mlody (algo como “os olhos jovens” em polonês), está longe de ser um dos melhores trabalhos do grupo de Oklahoma, entretanto, tem uma boa união entre melodia, melancolia e conceito estético.

Segundo Wayne Coyne, a definição do título do álbum se deu ao notar que a estética que o grupo pretendia abraçar na obra ficava mais atraente em polonês, incorporando tanto o conceito abstrato da linguagem como a imediação ao momento musical contemporâneo. E, dentro deste contexto apresentado por ele, Oczy Mlody se revela atraente, revelador, ainda que a dualidade não o torne um disco fantástico.

O que é, pelo menos, caloroso no disco é a possibilidade de reencontrar o The Flaming Lips pós-releituras de álbuns clássicos, tentativas um tanto desalentadoras do grupo.

Oczy Mlody começou a ser gerado em janeiro de 2015 e levou praticamente dois anos até chegar ao público. O resultado chamou atenção por alguns detalhes, como a falta de uma música comercialmente mais acessível, mesmo sendo um disco coeso e tematicamente consistente.

O que é, pelo menos, caloroso no disco é a possibilidade de reencontrar o The Flaming Lips pós-releituras de álbuns clássicos, tentativas um tanto desalentadoras do grupo. Wayne Coyne retoma seu fluxo psicodélico de consciência e apresenta canções como “How?”, que exploram ao máximo seus pontos fortes em termos de composição melódica e performance vocal. A faixa, que fez parte da trilha sonora de Ender’s Game – O Jogo do Exterminador, faz sentido dentro do disco.

A faixa seguinte, “There Should Be Unicorns”, reintroduz a leveza que estava em falta em seus últimos discos, como The Terror (2013), por exemplo. Coyne soa curiosamente otimista, trabalhando uma série de metáforas que podem até confundir o ouvinte pelo seu flerte com a distopia.

Wayne Coyne e Miley Cyrus. Foto: Reprodução.

“Nidgy Nie (Never No)” e “One Night While Hunting for Faeries and Witches to Kill” são provavelmente as mais soturnas do disco. Coyne e companhia seguem sendo experimentais e trilhando sua sonoridade espacial, mas eles conseguem ser extravagantes sem extrapolar o limite do experimentalismo pelo qual, volta e meia, o grupo é acusado de ultrapassar.

“We a Famly”, canção que encerra o Oczy Mlody, é uma colaboração com a cantora Miley Cyrus. Analisando friamente as doze faixas anteriores, é fácil perceber que tudo foi arquitetado até chegar neste dueto, evidenciando esse caráter estranho e excêntrico que permeia a carreira do The Flaming Lips. É importante reforçar: não é um de seus melhores trabalhos, mas certamente leva a assinatura sonora do grupo, sendo inconfundível, ainda que imperfeito.

Ouça ‘Oczy Mlody’ na íntegra no Spotify

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Oczy Mlody

Experimental e excêntrico, ‘Oczy Mlody’, 15º disco do The Flaming Lips, leva a assinatura do grupo e é interessante, ainda que seja um álbum imperfeito.

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Alejandro Mercado

Alejandro Mercado é jornalista e publicitário, com pós-graduações em Comunicação e Sociedade e Multimeios. Foi coordenador adjunto da Coordenadoria Setorial de Comunicação da Secretaria de Cultura de Campinas entre 2005 e 2007, período no qual coproduziu o Unifest Rock, maior festival universitário de música da América Latina. Foi um dos idealizadores e coprodutor do Mopemuca, projeto voltado ao fomento da produção musical autoral no interior de São Paulo.

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