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Los Reyes del Falsete e a maturidade de não esperar nada da música

Argentinos da Los Reyes del Falsete chegam a dez anos de carreira e compartilham uma importante lição sobre ser músico nos dias de hoje. Entrevista exclusiva com o grupo na “Radar” da semana.

Econômico nas respostas, mas garantindo um papo frutífero, louco e sincero. Impossível começar o texto de outra forma que não introduzindo a banda argentina Los Reyes del Falsete tentando trazer o carisma e bom humor do trio de Adrogué, pequena cidade da província de Buenos Aires. Juanchy Munchy, guitarrista e vocalista do trio, tirou uns minutos para conversar conosco, poucos dias antes do grupo ter todos seus instrumentos roubados.

Na sempre inventiva cena musical argentina, nomes como o de Los Reyes del Falsete ganham espaço e se perpetuam nos ouvidos e corações dos fãs. Nestes mais de 10 anos de estrada, o trio acumula três discos completos e outros tantos EPs, demos e singles. O álbum mais recente, Lo que nos junta (Melopea/Guacalart, 2016), reafirma a maturidade da banda que buscou resgatar o frescor de seu primeiro disco, sem esquecer as variações de estilos entre as faixas, como fizeram em Días Nuestros (2012), seu segundo registro completo. “Quem são Los Reyes del Falsete é a melhor resposta à pergunta ‘qual é a melhor resposta à pergunta quem são Los Reyes del Falsete?'”, brinca Juanchy.

A sonoridade da Los Reyes del Falsete é uma combinação de grandes melodias, arranjos sutis e letras que tratam de narrar a vivência do cotidiano, inserindo como elemento fundamental ao DNA do grupo um certo tom jocoso. Artistas inquietos, a circulação de ideias e a movimentação são temas recorrentes nas composições do trio, elaboradas a partir de pequenas metáforas. “Não temos interesse em resumir o grupo a um tipo de som. Esperamos que com o passar dos anos sempre possamos conseguir soar de maneira diferente”, explica Juanchy.

Nica Rex, Tifa Rex e Munchy não modificaram apenas a maneira de fazer música ao longo dos mais de 10 anos de banda. Novas influências foram sendo agregadas à sonoridade da Los Reyes del Falsete, bem como novos elementos foram sendo incorporados. Além disso, estreitaram a relação com o lendário músico argentino Litto Nebbia. Com quase 70 anos, Nebbia é considerado um dos “pais do rock” do país hermano.

los reyes del falsete
10 anos de estrada e 3 discos lançados. Foto: Reprodução.

A sonoridade da Los Reyes del Falsete é uma combinação de grandes melodias, arranjos sutis e letras que tratam de narrar a vivência do cotidiano, inserindo como elemento fundamental ao DNA do grupo um certo tom jocoso.

Influência marcante na música feita pelos três, Nebbia também costurou importantes contribuições à banda. “Nos ajudou a encontrar um sentido mais pessoal à nossa música”, afirma Juanchy, que também cita ter sido Litto quem os ensinou a não esperar retorno financeiro vindo da música. “É um grande professor, em todos os sentidos”.

Com tantas gravações feitas ao longo da carreira, eles são um grande exemplo de como a indústria da música mudou nos últimos 20 anos. “Gravar um disco está ao alcance de quem puder conseguir um computador, uma placa [de som] e um microfone”, comentam os músicos. E na frase de Munchy a influência de Nebbia se mostra assimilada. “Música tem que ser feita sem ter como pretensão destacar-se entre os demais, e sim tentando ser o mais fiel às nossas ideias”.

Sobre o futuro? “[Queremos] tocar muito, colher frutos, gravar um disco novo e seguir conhecendo pessoas incríveis”. Pelas palavras de Munchy, não devemos ficar outros quatro anos esperando por um novo álbum.

O IMPACTO DA MÚSICA

Interesse recorrente desta coluna, compreender a visão que os músicos possuem sobre serem artistas em seus países e como isto se relaciona com o restante do mundo, os garotos da Los Reyes del Falsete veem com bons olhos o fato de tantos artistas latinos estarem fazendo músicas diferentes. “Não saberia dizer que impacto tem a música latino-americana no mundo, mas para nós toda a música [feita] no mundo nos impacta”.

Fator a ser notado em nosso papo é a firmeza com que afirmam não sentir o mercado latino fechado dentro do idioma inglês. “Se consome mais música em espanhol do que se pensa na Argentina”. Mas também são categóricos em apontar que a música não pode estar fechada em um único gênero e que o intercâmbio cultural com os países vizinhos, o Brasil incluído, é fundamental. “Há grandes intérpretes e bandas na música brasileira. Bandas que nos encantam como Os Mutantes e Secos e Molhados, por exemplo”.

Quem também tem papel preponderante em amplificar (e dar espaço) aos grupos são os veículos de comunicação, que ajudam os ouvintes a entrarem em contato com artistas novos e/ou independentes. Exercendo, então, nosso papel, pergunto a Munchy quem nossos leitores deveriam ouvir para entender a cena musical da Argentina contemporânea. “Há tantos”, diz o guitarrista, que garante ser uma tarefa difícil indicar bandas sem esquecer alguma.

“Há milhões [de grupos]. Mas estes dias estive cantando Aoutlo, Mi Amigo Invensible, Guacho, El Hagabal, Atrás Hay Truenos, Tarado & Solo, Criatura y Fábula, Amor Elefante, Las Piñas… todas valem a pena”. Com passagens aéreas tão caras (e uma das taxas de embarque mais caras do mundo), ouvir estes artistas já é conhecer um pouco mais o país vizinho. “Escutar o que está passando hoje em dia em nosso país é uma linda viagem de ida”. E, afinal, eles estão certos.

NO RADAR | Los Reyes del Falsete

Onde: Adrogué, Argentina.
Quando: 2006.
Contatos: Facebook | TwitterBandcamp | YouTube

Ouça ‘Lo que nos junta’ na íntegra no Spotify

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Alejandro Mercado

Alejandro Mercado é jornalista e publicitário, com pós-graduações em Comunicação e Sociedade e Multimeios. Foi coordenador adjunto da Coordenadoria Setorial de Comunicação da Secretaria de Cultura de Campinas entre 2005 e 2007, período no qual coproduziu o Unifest Rock, maior festival universitário de música da América Latina. Foi um dos idealizadores e coprodutor do Mopemuca, projeto voltado ao fomento da produção musical autoral no interior de São Paulo.

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