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O sudoeste goiano nos deu a Muñoz

Trocando em Miúdos: De Mineiros, sudoeste goiano, para Uberlândia, de lá para Florianópolis e finalmente para nossos tímpanos: conheça o potente duo Muñoz e seu novo disco, "Smokestack".

Segundo dados do último senso do IBGE, a população de Mineiros, município do interior do estado de Goiás, localizado no sudoeste do estado, é de 60.464 habitantes Não entram nesta contagem, ainda que filhos legítimos da cidade que abriga o Parque Nacional das Emas, este jornalista e a dupla por trás do genioso duo Muñoz.

A se destacar que, apesar de nascidos em Mineiros, a dupla ganhou projeção depois de já formada em Uberlândia, Minas Gerais. Fruto da inventividade dos irmãos Mauro e Samuel Fontoura, a Muñoz já carrega na bagagem um EP e dois discos completos, sendo Smokestack o último deles, lançado no início deste mês, já em uma nova realidade.

Mauro e Samuel hoje residem em Florianópolis, e foi pelo selo Infrasound Records que lançaram o álbum Smokestack. E é facilmente notado em seus trabalhos como a geografia exerce forte influência na estética sonora do grupo.

Enquanto o EP Muñoz (2013) e o full-length Nebula (2015) eram discos mais crus, nos quais sobressaltava um certo experimentalismo buscado no rock progressivo e psicodélico dos anos 70 e uma improvisação sonora do blues-rock, deixando a guitarra de Mauro e seu som pesado e orientado ao riff em evidência, Smokestack é mais expansivo e carregado de um peso mais coeso, garantindo até duas versões de bandas marcadas no imaginário dos headbangers: “Sometimes I’m Happy”, do Black Sabbath, e “Maybe I’m a Leo”, do Deep Purple.

Os irmãos Fontoura criam uma rede sonora riquíssima e potente, compondo uma cadeia de riffs, batidas secas e viradas hipnóticas, um resultado estonteante para um duo.

A Muñoz é uma catarse sonora que agrada qualquer fã do The Baggios, ou mesmo quem se encantou com a forma como Jack e Meg White faziam rock and roll – e é notório que Samuel possui muitos mais recursos que Meg em suas baquetas. A expansividade do novo trabalho os aproximou mais das correntes de stoner rock que tem mostrado força e riqueza no cenário independente nacional, e que já conferimos em trabalhos recentes na cena paranaense com a Pantanum (Curitiba) e a Red Mess (Londrina). Aliás, a arte da capa de Smokestack é assinada por Lucas Klepa, baixista da Red Mess.

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O duo em ação. Foto: Reprodução.

Os irmãos Fontoura criam uma rede sonora riquíssima e potente, compondo uma cadeia de riffs, batidas secas e viradas hipnóticas, um resultado estonteante para um duo. Não faltam linhas de baixo, pois sobra energia em seus instrumentos e sinergia entre a dupla, preenchendo todos os espaços de cada uma de suas sete composições próprias. Uma marcha imperial que inicia em “N.U.M.B.”, passa pela visceral “Vulture” e encerra frenética em na cover “Maybe I’m a Leo”, logo após nos oferecer a ímpar “Implosion”, a melhor e mais emblemática dessa nova fase da Muñoz.

Uma curta e gloriosa carreira. Um dos grandes discos de rock nacional do ano. Goiás é mais que soja. Mineiros mais que o Parque Nacional das Emas. Muñoz é mais do que você imagina.

NO RADAR | Muñoz

Onde: Mineiros/GO; Uberlândia/MG; Florianópolis/SC.
Quando: 2012
Contatos: Facebook | Soundcloud | YouTube | Bandcamp

Ouça “Smokestack” na íntegra no Spotify

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Alejandro Mercado

Alejandro Mercado é jornalista e publicitário, com pós-graduações em Comunicação e Sociedade e Multimeios. Foi coordenador adjunto da Coordenadoria Setorial de Comunicação da Secretaria de Cultura de Campinas entre 2005 e 2007, período no qual coproduziu o Unifest Rock, maior festival universitário de música da América Latina. Foi um dos idealizadores e coprodutor do Mopemuca, projeto voltado ao fomento da produção musical autoral no interior de São Paulo.

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