Em Cena

Lugar não convencional

O espaço cênico encontrado em outros lugares dentro de nós como forma de encenação.

Viver de arte ultrapassa os sentidos da realidade presente nos dias que seguem um tempo conturbado de informações. Chegamos a condições de desgaste físico, saturada pelas criações de nossos pensamentos. Movemos o tempo de traz pra frente num cenário onde os representantes se camuflam para o desconhecimento do publico. A cada cena, o improviso joga com o real de nossas situações que compõem a performance vista numa tela de cinema. A resistência impede o avanço, mas as atuações de nossas imaginações movimentam a vida para além do amanhã.

Em alguns territórios, o fazer teatral é irreconhecível, não estão nos livros. A história desconhece, evidencia uma parte se enganado do total que influenciou no andamento contemporâneo das interpretações. Tudo é ensaiado, movimento contínuo da história de nossas vidas. Diante do presente, o conteúdo desinforma o que nossa mente consome, gravam as cores que expressam o grito silencioso dos sentimentos aglutinados em nós. Falamos o texto que decoramos antes do dia amanhecer, onde o tempo não consegue segurar os acontecimentos dessa desterritorialização.

Fazer teatro não condiz somente com o que temos em nossos pensamentos está além do atual; do capital que movimenta nossa rotina. O teatro está nas ruas onde o povo encena o que a arte copia. O incômodo é real, resiste porque sente fome. Sonha com a mudança e se desfaz em artes gritantes exposta para o mundo consumir. O sentido está no umbigo esquecido pelo tempo, nas energias cansadas que ralentam a apresentação cênica de nosso século.

Casas, porões, prédios dão lugar a atuação que a vida esconde, nossa intimidade se revela nos cantos onde a poeira brilha com a luz do cenário.

Para outras interpretações, o incômodo escapa para lugares onde nos recolhemos. Nossos espaços representam a condição física e imaginativa de nossas obras. A criação é evidente em nosso próprio ambiente familiar. Casas, porões, prédios dão lugar à atuação que a vida esconde, nossa intimidade se revela nos cantos onde a poeira brilha com a luz do cenário.

A resistência está na coletividade, no trabalho conjunto que movimenta a cena local. É preciso fazer teatro nos lugares inusitados para um público desconhecido da arte que temos dentro de nós. Temos que despertar a verdade de cada ser, mostrar sua intimidade para o mundo e revelar outra referência que não está no meio dos livros. Devemos tirar o teatro das coisas, dos lugares violentos sem acesso às informações reais do mundo. É preciso ampliar a rede, o rizoma de nossas vivências para a construção de nosso próximo espetáculo.

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Bernard Freire

Bernard Freire nasceu em Belém (PA), em 1987. É mestrando em Artes pelo Programa de Pós Graduação em Artes da UFPA, e é formado em Teatro e no Curso Técnico em Ator pela Escola de Teatro e Dança da Universidade Federal do Pará. Possui experiência nas áreas de webjornalismo e arte mídia.

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